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Eleições sob pressão: avanço da desinformação e ataques cibernéticos

Especialistas alertam que o período de seis meses antes das eleições concentra ataques cibernéticos e desinformação, com IA ampliando alcance e dificuldade de atribuição

O avanço da desinformação e dos ataques cibernéticos
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  • Especialistas apontam que os seis meses que antecedem as eleições concentram os maiores riscos de interferência no debate público e na confiança dos eleitores.
  • O Hybrid CoE, sediado em Helsinque, apoia 35 países com pesquisas, treinamentos e análises para prevenir e combater ameaças híbridas.
  • A inteligência artificial amplia a atuação de atores mal-intencionados, mas também oferece ferramentas para monitoramento e resposta; o equilíbrio ainda é incerto.
  • A Rússia é vista como principal fonte de ameaças na Europa, com aumento de desinformação desde a invasão da Ucrânia, em 2022; Irã e China também ganham destaque.
  • No Brasil, pesquisadores destacam a desinformação interna como principal preocupação com as eleições presidenciais de 2026, enquanto instituições enfrentam vulnerabilidades nesse cenário.

Em meio ao avanço das ameaças híbridas, períodos eleitorais aparecem como ambientes de maior vulnerabilidade. Ciberataques, campanhas de desinformação e pressões econômicas podem influenciar o debate público e a confiança dos eleitores, segundo especialistas.

O tema ganha destaque com a atuação do Hybrid CoE, Centro Europeu de Excelência para o Combate às Ameaças Híbridas, sediado em Helsinque. A instituição oferece pesquisas, treinamentos e análises para 35 países, em parceria com a UE e a OTAN.

A diretora da área de Influência Híbrida do Hybrid CoE, Martha Turnbull, aponta que os seis meses anteriores a uma eleição concentram ataques destinados a minar a confiança no sistema eleitoral e nos governos. A ação tende a mirar partidos e candidatos.

Ela explica que, conforme a eleição se aproxima, as atividades costumam ampliar o foco, buscando desencorajar a participação e desacreditar resultados nas semanas seguintes. A relação entre atores externos e internos tem ganhado força.

Segundo Turnbull, a ligação entre ameaças externas e agentes domésticos ocorre de formas distintas, com ou sem uma orientação direta de fora para dentro do país. O cenário atual revela uma conectividade maior entre esses atores.

O principal alvo das ações é o eleitor; por isso, reforçar a educação midiática é parte essencial da resposta para identificar e resistir à desinformação, conforme o Hybrid CoE.

IA redefine o mapa das ameaças

A inteligência artificial amplia a capacidade de atuação de atores maliciosos, com modelos de linguagem acelerando operações e dificultando rastreamento e atribuição de responsabilidades, explica Turnbull.

Há também aspectos positivos: governos vêm usando IA para monitorar e responder a ameaças híbridas. Mesmo assim, o saldo permanece incerto e dependente de como a tecnologia será aplicada no futuro.

Rússia, Irã e China no radar europeu

Helsinque fica próxima à fronteira russa, apontada como principal fonte de ameaças na última década. Turnbull afirma que a Rússia representa o maior risco, mas vê aumento de atividades também do Irã e da China.

Desde a invasão da Ucrânia em 2022, o Hybrid CoE registrou maior atividade de desinformação destinada a desgastar o apoio à Ucrânia e a cooperação com aliados.

As ações descritas podem incluir propaganda, ataques cibernéticos, além de operações militares de pequena escala que atinjam fronteiras, espaços aéreos ou sinais de GPS.

No Brasil, desinformação no centro do debate

Pesquisadores brasileiros acompanham o tema de perto. O professor Piero Leirner, da UFSCar, afirma que a preocupação principal é a desinformação e a polarização, com atores internos ligados a externos.

À proximidade das eleições presidenciais de 2026, marcadas para outubro, o tema retorna ao centro das discussões políticas. Leirner lembra que as redes sociais ampliam alcance e velocidade, aumentando a influência das estratégias de desinformação.

O pesquisador sustenta que instituições nacionais não estão totalmente preparadas para prevenir ou responder a esse tipo de ameaça. Ele também aponta que várias instituições políticas já operam, de forma indireta, nesse ambiente de dissonância cognitiva.

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