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Itamaraty critica viagem de Flávio aos EUA e rejeita reescrita da história

Itamaraty critica ida de Flávio Bolsonaro aos EUA para audiência sobre tarifa de 25%; governo não enviará representantes e defende negociação bilateral

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  • O Itamaraty publicou uma declaração nas redes sociais, nesta quarta-feira, 24, contra a ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos para uma audiência pública sobre tarifas.
  • Flávio Bolsonaro se inscreveu para depor na audiência do Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) para cinco minutos, em inglês e presencialmente.
  • Ele se apresenta como senador da oposição e pré-candidato à Presidência; pediu a suspensão da tarifa de 25% e a abertura de negociação bilateral.
  • O governo Lula não enviará representantes e afirma que audiências públicas da Seção 301 são espaço para entidades afetadas, não para governos.
  • O Brasil participa do processo pelos canais diretos de interlocução; o grupo de trabalho entre Brasil e EUA deve se reunir até 15 de julho, quando pode haver decisão final sobre as tarifas.

O Itamaraty reagiu nesta quarta-feira 24 às ações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para participar de uma audiência pública nos EUA sobre tarifas. A denúncia envolve a proposição de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e a participação do senador na audiência promovida pelo governo americano.

A mensagem do governo brasileiro foi publicada em redes sociais, em tom firme, chamando os participantes de “traidores da Pátria” e afirmando que não permitirão que a história seja reescrita. O texto também vincula a discussão a uma suposta interferência externa na Justiça brasileira.

Flávio Bolsonaro, que é senador e pré-candidato à Presidência, informou ter se inscrito para depor perante o USTR, em inglês, por cinco minutos, para defender o Brasil. O requerimento foi levado ao Escritório de Comércio dos EUA.

A audiência está marcada para 6 de julho, segundo o USTR. O prazo para inscrições de participação já foi encerrado. O governo brasileiro não enviará representantes à audiência, segundo apurou o Estadão.

Por que o governo brasileiro não enviará representante

Fontes do Palácio do Planalto indicam que as audiências são abertas a entidades privadas e à sociedade civil, e não costumam contar com representantes oficiais. O governo aponta que negociações ocorrem por meio de canais diretos de interlocução entre governos.

A participação do Brasil na investigação de 301 tem ocorrido por vias formais de diálogo desde 15 de julho de 2025, com o objetivo de acompanhar o processo sem depender de audiências públicas. Outras grandes parceiras, como China e UE, também não enviam representantes nessas audiências.

O governo brasileiro mantém atuação por meio de um grupo de trabalho criado após reunião entre Lula e Trump em 7 de maio. A expectativa é realizar duas novas reuniões até 15 de julho, prazo para a decisão final dos EUA sobre as tarifas.

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