- A Polícia Federal aponta mensagens da Operação Compliance Zero indicando que o senador Jaques Wagner manteve contato direto com Augusto Lima, aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, na Bahia.
- Segundo as mensagens, Wagner pediu um encontro em Brasília no dia 25 de agosto de 2024 para falar sobre a “Emenda Master” e questões da eleição; o encontro ocorreu na manhã seguinte no gabinete do senador.
- A PF afirmou que, após o encontro, Lima enviou ao senador informações sobre a chamada Emenda Master, relacionada a interesses do banco, durante a tramitação de uma proposta para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.
- A proposta, capitaneada pelo senador Ciro Nogueira, não chegou a avançar no Senado e acabou engavetada; a PF ressalta que houve contatos entre Vorcaro e Wagner para tratar da tramitação da emenda.
- A defesa de Wagner nega atuação em favor do Banco Master, afirma que as conversas eram pessoais e que o senador sempre agiu dentro da lei; a PF aponta indícios de atuação contínua do parlamentar em pautas do grupo entre 2022 e 2025.
A Polícia Federal aponta que mensagens apreendidas durante a Operação Compliance Zero indicam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) manteve contato direto com Augusto Lima, aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A PF afirma que houve comunicação sobre a chamada Emenda Master e assuntos eleitorais entre Wagner e Lima em Brasília, em agosto de 2024.
Segundo a apuração do Estadão e da Band, Wagner enviou áudio no dia 25 de agosto propondo um encontro em Brasília para tratar de como estavam as questões do banco e da eleição. Lima confirmou a disponibilidade e houve reunião no gabinete do senador na manhã seguinte. Informações sobre a Emenda Master teriam sido encaminhadas após o encontro.
A PF liga esses contatos à tramitação de uma medida que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de 250 mil para 1 milhão por CPF, proposta capitaneada por Ciro Nogueira. A proposta não avançou no Senado. A investigação também aponta que Vorcaro buscou contato com Wagner para tratar da emenda, sugerindo proximidade entre o parlamentar e representantes do Banco Master.
A defesa de Wagner sustenta que não houve atuação em favor do Master ou de Vorcaro e que o diálogo se restringia a questões pessoais, sem negócios com o banco. Já a defesa de Augusto Lima afirma que as diligências são desnecessárias e que ele está à disposição das autoridades para esclarecer os fatos, reiterando atuação dentro da lei.
Nesta semana, Wagner realiza reunião com o presidente Lula para apresentar sua versão. O encontro, visto como decisivo, pode influenciar a permanência do senador na liderança do governo no Senado. Há expectativa sobre impactos políticos internos à base governista diante da crise envolvendo a investigação.
Liderança sob pressão
A avaliação interna no governo envolve a tramitação de propostas prioritárias, como medidas para a segurança pública e ajustes regulatórios do BC, com foco em manter o ritmo de ações legislativas para as eleições. A situação segue gerando desdobramentos tanto na articulação política quanto na relação com o Senado.
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