- A cada vez mais policías trabalham em segundo emprego como motoristas de aplicativo—muitas vezes Portando a arma oficial mesmo fora de serviço, para se proteger.
- Dados do Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels) indicam que setenta e cinco por cento das mortes por uso de arma de fogo por policiais em dois mil e vinte e cinco ocorreram quando os agentes estavam fora de serviço.
- Cerca de treze por cento das mortes envolvendo armas oficiais aconteceram enquanto policiais atuavam como motoristas de aplicativo; em dois mil e vinte e cinco, foram dezesseis casos, ante apenas dois em dois mil e vinte.
- Em fevereiro, um policial federal que trabalhava como motorista de aplicativo atirou em dois homens que tentaram roubá-lo em La Matanza; em dezembro de dois mil e vinte e cinco, outro policial, também motorista de aplicativo, matou um jovem de quinze anos após alegação de ataque.
- A prática ocorre apesar de Uber e DiDi proibirem porte de armas por motoristas; especialistas ouvidos pelo jornal destacam que haver a arma de fogo à disposição aumenta riscos para terceiros e para o próprio policial.
O aumento de mortes envolvendo policiais que atuam em segundo emprego e carregam armas funcionais é observado em meio à crise econômica na Argentina. A reportagem acompanha casos de agentes que atuam como motoristas de app, mesmo com salário abaixo da linha de pobreza para famílias de quatro pessoas. O foco está em como essa prática se intensificou nos últimos anos, sobretudo em contexto de austeridade.
Relatos de oficiais ouvidos pela imprensa revelam que muitos combinam serviços de polícia com turnos extras em apps como Uber e DiDi, levando consigo armas fornecidas pelo governo. Dados do Centro de Estudos Legais e Sociais (Cels) indicam que 75% das mortes atribuídas ao uso de armas oficiais em 2025 ocorreram quando os agentes estavam fora de serviço. Entre essas ocorrências, cerca de 13% envolveram motoristas de rideshare no momento do incidente.
Casos recentes e contexto econômico
Em fevereiro, um policial de 30 anos, atuando como motorista de app, abriu fogo contra dois homens que tentaram assaltá-lo em La Matanza, na região metropolitana de Buenos Aires, quando deixava passageiros. Meses antes, em dezembro de 2025, um agente federal que dirigia para uma empresa de rideshare matou um adolescente de 15 anos, alegando ter sido atacado por um grupo que o cercava.
Em fevereiro, outro caso ocorreu na Grande Buenos Aires, quando um policial de uma força de segurança local morreu devido aos ferimentos recebidos em confronto com criminosos que o abordavam durante o serviço de app. A prática de carregar armas durante o deslocamento é comum entre as forças de segurança, mesmo com restrições de as plataformas proibindo o porte de arma pelos motoristas.
Implicações e reação institucional
A cultura de portar armas o tempo todo, inclusive fora do expediente, é consolidada pela prática entre parte da polícia. Organizações de direitos humanos destacam a necessidade de revisar essa permissão para reduzir riscos de violência desproporcional. A situação ocorre em meio a aumentos de descontentamento com salários e condições de trabalho entre membros das forças de segurança, contrastando com o apoio público do governo aos agentes.
Segundo a organização Correpi, a solução passa pela limitação do porte de armas fora de serviço. O debate também envolve autoridades políticas: o governo reafirma apoio às forças de segurança, enquanto aumentam as reclamações sobre remuneração. Em contextos anteriores, decisões judiciais e políticas públicas influenciaram as regras de atuação policial e o uso da força, alimentando debates sobre responsabilidade e proteção da população.
Fontes associadas aos casos incluem informes de veículos de imprensa locais, organizações de direitos humanos e estudos acadêmicos, que analisam a relação entre o custo de vida, o trabalho policial e a segurança pública. O tema mantém-se em aberto, com novos casos e dados ainda a serem verificados por instituições independentes.
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