- Keir Starmer não conseguiu dissipar a polarização nacionalista criada pelo Brexit, mesmo tentando promover um patriotismo mais saudável.
- O mandato dele teve duração curta, em meio a um clima pós‑Brexit marcado por desgaste e dúvidas sobre seus objetivos políticos.
- Analistas apontam que governar ficou mais difícil com a saída do Reino Unido da União Europeia, consumindo capital diplomático e credibilidade econômica, com estimativas de 4% a 8% do PIB em crescimento perdido.
- O fenômeno populista não é exclusivo do Reino Unido; o Brexit é visto no contexto de um recuo global de liberalismo e nacionalismo, com uso de plebiscito como ferramenta política.
- Andy Burnham é apontado como possível favorito para suceder Starmer, apostando em uma comunicação mais eficaz para contestar o discurso nacionalista e reduzir a influência de Reform UK.
Keir Starmer não conseguiu superar o que se poderia chamar de maldição do Brexit. O governo de detrimento político interno expôs fraquezas que não vêm apenas da saída da UE. A gestão mostrou dificuldades em explicar suas próprias escolhas.
Desde o referendo, a duração média no cargo de primeiro-ministro caiu para menos de dois anos, em meio a crises internas. A saída de Starmer revelou deficiências no convencimento do objetivo do governo e na comunicação com o eleitorado.
A forma de governar exigiu redirecionar recursos para um distanciamento do mercado único e para a construção de novos sistemas de comércio. Estima-se que a perda de trajetória de crescimento possa ficar entre 4% e 8% do PIB.
A perda econômica ampliou tensões públicas, polarização e um ambiente político mais áspero. O período pós-Brexit é associado a radicalização e a uma narrativa de libertação nacional que, segundo análises, falhou em entregar resultados.
O contexto europeu mostra que o populismo ganhou espaço em várias democracias, alimentado por críticas à globalização liberal. No Reino Unido, a plebiscitária natureza do Brexit dificultou revisões rápidas e mudanças de rumo.
O desafio atual para a oposição é reframing da patriotismo sem recorrer a discursos de confronto. Starmer tentou, mas a resposta pública exigirá clareza de proposta e estratégia para reconectar eleitores descrentes.
Andy Burnham surge como possível substituto com estilo de comunicação mais direto. O desafio é manter consistência entre discurso e políticas, para reduzir a erosão de confiança associada ao tema nacional.
Starmer chegou ao poder acreditando poder deixar o Brexit para trás. O próximo passo envolve entender que a disputa não é apenas relação com a UE, mas o tom de patriotismo que mobiliza o país.
Como resultado, Burnham pode ter vantagem para liderar uma estratégia de oposição mais firme contra a radicalização. Resta saber se essa leitura de cenário se consolidará com o tempo e eleições futuras.
- Rafael Behr é colunista do Guardian
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