- Dispositivos de rastreamento escondidos, chamados “tags”, estão sendo usados para monitorar e perseguir mulheres em São Paulo, com casos que podem configurar stalking e violência psicológica, segundo a SSP.
- Em um relato, uma mulher encontrou a tag no tênis do filho para vigiar os deslocamentos dela; a SSP confirma que a prática pode caracterizar stalking.
- Entre janeiro e março deste ano, os boletins de ocorrência por perseguição na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher subiram 15,5%, totalizando 104 casos contra 90 no mesmo período de 2025.
- O estado mantém uma rede de proteção com 144 Delegacias de Defesa da Mulher e 220 Salas DDM, além de serviços como a Cabine Lilás e o aplicativo SP Mulher Segura.
- O SP Mulher Segura soma mais de 61 mil usuárias ativas, com 16,6 mil acionamentos do botão do pânico; o monitoramento eletrônico de agressores envolve 434 pessoas, com 136 prisões por descumprimento de medidas protetivas.
Casos de perseguição envolvendo dispositivos de rastreamento têm sido relatados em São Paulo, com mulheres identificando tags escondidas em carros, bolsas e até objetos de crianças. A prática permite monitorar rotinas e acompanhar deslocamentos, gerando medo e invasão de privacidade.
A SSP informou ao Terra que esse uso clandestino pode caracterizar stalking e violência psicológica. O stalking envolve monitorar ou assediar repetidamente, provocando constrangimento, danos à liberdade ou privacidade da vítima.
Segundo a Folha de S. Paulo, aparelhos do tamanho de uma moeda, vendidos por menos de R$ 100, têm sido usados para acompanhar localização em tempo real sem o conhecimento da vítima. Em alguns casos, as tags chegam a ser colocadas em itens de familiares da mulher.
Entre janeiro e março deste ano, a 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) registrou aumento de 15,5% nos boletins de ocorrência relacionados à perseguição na região central da capital. Foram 104 registros no período, ante 90 no mesmo trimestre de 2025.
A SSP informou que monitora de forma permanente os registros de violência contra a mulher e que mantém políticas públicas para proteção, ampliação dos canais de denúncia e fortalecimento da rede de atendimento. O objetivo é incentivar o registro de ocorrências e interromper ciclos de violência.
Estrutura de proteção e atuação
São Paulo conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) e 220 Salas DDM. A Cabine Lilás, instalada no Copom, registrou 29,6 mil atendimentos até maio, envolvendo orientações, chamadas de emergência e intervenções policiais.
Na área tecnológica, o governo estadual utiliza o app SP Mulher Segura, que reúne geolocalização e monitoramento de agressores sob tornozeleiras eletrônicas. A ferramenta soma mais de 61 mil usuárias ativas e registrou 16,6 mil acionamentos do botão do pânico.
O monitoramento eletrônico de aggressor(es) também é mantido pelo Estado. Atualmente, 434 pessoas são acompanhadas pelo sistema, sendo 221 em casos de violência doméstica. Desde a implantação, 136 prisões ocorreram por descumprimento de medidas protetivas.
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