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MP aponta vereador do PT como dono de 13 ônibus em esquema ligado ao PCC

Prisão decretada de Senival Moura aponta atuação como proprietário de parte da frota da Transunião, ligada ao PCC, com movimentações milionárias suspeitas

Presidente da Comissão de Transporte da Câmara Municipal, o petista Senival Moura, teve a prisão decretada pela Justiça
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  • Investigação aponta que Senival Moura era apontado como “efetivo” explorador econômico de parte da frota da Transunião Transportes S.A., alvo de intervenção judicial, com ligação ao PCC.
  • Planilhas apreendidas indicam 13 ônibus vinculados a Senival, registrados em nomes de laranjas ou em CPF de familiares, como esposa e filho.
  • A Transunião seria usada como plataforma de lavagem de dinheiro do crime organizado; prisão do vereador foi decretada por cinco dias, com possibilidade de prorrogação.
  • O Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro identificou movimentações financeiras expressivas entre 2019 e 2022, totalizando oito milhões e seiscentos mil reais, com 2,3 milhões sem origem declarada; imóveis no litoral e em São Paulo foram citados.
  • Senival Moura é 1º Secretário da Câmara Municipal e presidente da Comissão de Transporte; as investigações apontam influência dele no núcleo econômico da empresa.

O vereador Senival Moura, 1º Secretário da Câmara Municipal de São Paulo e presidente da Comissão de Transporte, teve a prisão decretada pela Justiça nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026. A ordem decorre da Operação Última Parada, que envolve Polícia Civil e Ministério Público. Moura é apontado como dono de parte da frota da Transunião Transportes S.A., alvo de intervenção.

Segundo as investigações, a Transunião funcionava como plataforma de lavagem de dinheiro ligada ao PCC. Planilhas apreendidas no âmbito do caso do ex-presidente da empresa, Adauto Soares Jorge, indicaram a participação do vereador na administração de parte dos veículos. A Polícia enxerga relação entre Moura e a frota, mesmo após o afastamento formal.

A apuração aponta que Moura integrava a relação de proprietários e operadores da frota, sob os rótulos “Contato” e “Contato3”. Registros indicam Moura como “efetivo” explorador econômico de parcela significativa dos ônibus da Transunião, com 13 veículos ligados a diferentes operadores.

Contexto da investigação

Os veículos aparecem em nomes de terceiros, usados como laranjas para ocultar a presença do político. Alguns itens estão vinculados ao CPF de familiares, como a esposa Maria de Lourdes Andrade de Moura, ou do filho Ítalo Andrade de Moura. Há ainda empresa associada ao vereador, a SPM Transporte Urbano de Passageiros e Cargas.

O Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD): estudo apontou movimentações financeiras expressivas em nome de Moura entre 2019 e 2022, totalizando cerca de R$ 8,6 milhões em 3.134 lançamentos. Desse total, R$ 2,3 milhões não teriam origem declarada.

Imóveis: a apuração cita uma casa em Juquehy (R$ 800 mil), um apartamento na Vila Madalena e um sítio em Extrema (MG) com piscina. A polícia relaciona esses ativos à evolução patrimonial acima da remuneração parlamentar.

Senival Moura, que já liderou a bancada do PT na Câmara, mantém atuação no setor de transportes há quase três décadas. A investigação sustenta que ele exercia influência nas decisões da Transunião, mesmo após afastamento formal.

A Justiça determinou a prisão do vereador por cinco dias, com a possibilidade de renovação por mais cinco. Ao término do prazo, o Ministério Público avaliará se pede a prisão preventiva. A motivação é evitar interferência no andamento da investigação e preservação de provas.

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