- O Ministério Público do Paraná denunciou a vereadora Anne Moraes (Avante) e a irmã dela por desvio de R$ 1,6 milhão da Associação Defensora dos Animais (ADA), com recursos originários do programa estadual Nota Paraná e de doações.
- Segundo a denúncia, houve 864 saques em espécie de conta de uma terceira irmã que mora fora do Brasil, supostamente para ocultar o rastro do dinheiro e financiar despesas pessoais.
- A defesa aponta que Anne Moraes, na posição de presidente e administradora, centralizava a gestão financeira da ADA, e que a irmã atuaria como fachada na entidade para facilitar os desvios.
- A ADA chegou a passar por intervenção judicial a pedido do Ministério Público, sendo hoje gerida pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU).
- A denúncia ocorre poucos dias antes da Câmara de Londrina julgar a cassação de Anne Moraes por quebra de decoro parlamentar; a defesa questiona a divulgação da peça processual e o segredo de justiça.
O Ministério Público do Paraná denunciou a vereadora Anne Moraes (Avante) e a irmã dela por desvio de R$ 1,6 milhão da Associação Defensora dos Animais (ADA). A acusação chega dias antes de a Câmara de Londrina julgar a cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar. A ADA sofreu intervenção judicial determinada pelo MP devido a indícios de irregularidades.
Segundo a denúncia da 26ª Promotoria de Justiça, o esquema envolveu peculato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro. O valor teria chegado à ADA via o programa estadual Nota Paraná e doações privadas. A investigação aponta 864 saques em dinheiro, todos feitos em espécie por uma terceira irmã que mora no exterior, com o objetivo de ocultar a origem dos recursos.
Os investigadores afirmam que Anne Moraes, então presidente e administradora da ADA, centralizava a gestão financeira e teria apropriado-se dos valores para quitar despesas pessoais. A irmã da vereadora seria responsável por cargos de fachada, omitindo-se para viabilizar os desvios.
A ADA abrigou mais de mil animais, entre cães e gatos, e hoje é administrada pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), após intervenção do MP motivada por indícios de maus-tratos e irregularidades no financiamento. As apurações indicam que as condutas ocorreram entre 24 de janeiro de 2019 e 13 de maio do ano passado.
Implicação e desdobramentos legais
O MP pede a condenação de Anne Moraes e da irmã pelos crimes apurados e a reparação de pelo menos R$ 1.617.629,13, com juros e correção monetária. A peça acusatória reforça o caráter de desvio de recursos públicos e de doações destinados à ADA.
A denúncia surge às vésperas do julgamento da Câmara de Londrina, marcado para esta sexta-feira, sobre a cassação do mandato de Anne Moraes. A Comissão Processante recomenda a cassação por quebra de decoro, uso de assessores em atividades privadas e desvio de finalidade na nomeação para cargos de confiança.
A defesa de Anne Moraes contesta a divulgação da denúncia antes do acesso aos autos, que tramita sob segredo de justiça.O advogado Maurício Carneiro afirma que o processo não foi acessado integralmente e classifica a divulgação como inadequada, marcada por potencial prejuízo ao direito de defesa.
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