- A Polícia Federal apreendeu um helicóptero e maços de dinheiro na operação Afluente, dirigida ao deputado Josimar Maranhãozinho (PL-MA), com 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF no DF, Goiás e Maranhão.
- A aeronave foi apreendida, mas continua em posse do proprietário, designado como fiel depositário.
- Os mandados foram cumpridos em endereços ligados ao deputado, no Distrito Federal, em Goiás e no Maranhão.
- Segundo a PF e o Ministério Público, o grupo cobrava 25% do valor de cada emenda destinada aos municípios; prefeitos que resistiam eram pressionados.
- O deputado foi condenado pelo STF por corrupção passiva e organização criminosa, recebendo seis anos e cinco meses de prisão em regime semiaberto, 300 dias-multa, indenização de R$ 1,667 milhão e inelegibilidade de até oito anos após a pena; a Câmara deverá decidir sobre o mandato.
Nesta quinta-feira (25/6), a Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF. Os endereços ficam no Distrito Federal, em Goiás e no Maranhão, ligados ao deputado federal Josimar Maranhãozinho (PL-MA). A operação é chamada de Afluente.
Durante a ação, a PF apreendeu um helicóptero e maços de dinheiro. A aeronave permaneceu com o seu proprietário, que foi designado como fiel depositário. Os mandados atingiram imóveis relacionados ao parlamentar.
A investigação apura um esquema de cobrança de propina para liberação de emendas parlamentares, segundo a PF e o Ministério Público. Prefeitos que se recusavam eram pressionados a aderir ao esquema.
O esquema
Conforme apuração, o grupo exigia 25% do valor total de cada emenda destinada aos municípios. Em alguns casos, gestores seriam informados de que o pagamento era condição para receber as liberações.
A operação ocorre pouco tempo após Maranhãozinho ser condenado pelo STF por corrupção passiva e organização criminosa. A decisão envolve a negociação de recursos públicos em troca de propina.
Segundo o STF, entre janeiro e agosto de 2020, Maranhãozinho, outros deputados e integrantes do grupo teriam solicitado cerca de R$ 1,6 milhão para facilitar R$ 6,7 milhões em emendas ao município de São José de Ribamar (MA).
O relator da condenação, ministro Cristiano Zanin, apontou que as emendas eram tratadas como moeda de troca, com evidências de contenção de repasses e pagamentos aos envolvidos.
A defesa de Maranhãozinho não se manifestou até o fechamento desta edição. A Câmara dos Deputados poderá analisar eventual compatibilidade entre cumprimento de pena e o mandato parlamentar.
Condenação
Maranhazinho foi condenado a 6 anos e 5 meses de prisão em regime semiaberto, com multa e indenização por danos morais coletivos de R$ 1,667 milhão, solidariamente. Também foi decretada inelegibilidade por oito anos após o cumprimento da pena.
Apesar da condenação, o deputado permanece no mandato. A decisão admite recursos e depende de apreciação da Câmara dos Deputados quanto à compatibilidade com o mandato.
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