- Planalto aponta que Rubio busca legitimar Flávio Bolsonaro como principal interlocutor do Brasil nas negociações sobre o tarifaço.
- Diplomatas dizem que Flávio se inscreveu para audiência pública em Washington no dia 6 para tratar do tema com o USTR.
- Governo Lula observa sinais dos EUA de interesse no pleito de 2026 e de ter no Planalto um nome alinhado a Donald Trump.
- Em carta, Rubio reforça a posição dos EUA pela cobrança de 25% em importações brasileiras, com exceção de itens sob segurança nacional, citando propostas corretivas do embaixador Jamieson Greer.
- Sobre a seção 301, Planalto acredita que é improvável o Brasil escapar do tarifaço e defende tratar o tema pelo grupo de trabalho com os norte-americanos.
O Planalto avalia que o senador Marco Rubio busca legitimar Flávio Bolsonaro como interlocutor brasileiro na negociação de tarifas com os Estados Unidos. A avaliação envolve a carta de Rubio a Flávio e a tentativa de participação do senador em audiência pública em Washington, marcada para o dia 6.
Diplomatas ouvidos pela CNN dizem que Flávio Bolsonaro pode ter se inscrito para falar na sessão, com o objetivo de influenciar a resposta norte-americana sobre o tarifaço. O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) discutirá esse tema na audiência.
Segundo o Palácio, há resistência interna ao envio de um representante brasileiro à sessão, já que o espaço é voltado ao setor privado. A visão é de que o caminho adequado é a atuação do grupo de trabalho já estabelecido entre Brasil e EUA.
Carta de Rubio a Flávio
A resposta de Rubio reforça a posição de aprovação de tarifas de 25% sobre importações do Brasil, com exceção de itens sujeitos a segurança nacional. O documento aponta a possibilidade de ações judiciais sob a seção 301, citando políticas brasileiras sobre comércio digital, desmatamento e tarifas.
Rubio afirma que medidas corretivas, propostas pelo embaixador Jamieson Greer, devem passar por consulta pública antes de qualquer decisão final. A carta menciona que a investigação começou em julho de 2025, sob orientação do governo Trump.
A troca de missivas ocorre dias após Flávio ter manifestado interesse em discursar presencialmente na audiência. O senador também informou ter conversado com Trump e Rubio sobre o tema, ampliando o peso político da defesa brasileira.
Contexto estratégico
Diplomatas avaliam que os EUA demonstram crescente interesse no pleito de 2026 e em alinhar o Planalto a uma linha próxima a posições defendidas por Trump. A expectativa é que o tarifaço tenha impacto relevante na relação comercial Brasil-EUA.
Para o governo brasileiro, o diálogo com o USTR é apontado como o caminho para esclarecer pontos da seção 301. A visão interna é de que a cooperação técnica entre as duas nações permanece essencial para a negociação.
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