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Abdias do Nascimento e Sueli Carneiro, referências da resistência afro-brasileira

Dois expoentes do movimento negro denunciam mazelas do racismo brasileiro em 1999 e 2006; a inclusão racial permanece prioridade não cumprida

Opinião 2706 - (crédito: Caio Gomez)
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  • Dois expoentes do movimento negro denunciaram mazelas do racismo à brasileira em 1999 e 2006, com textos veiculados pela Folha de S. Paulo e recuperados na coletânea A palavra e o poder (edição de 2025).
  • Abdias do Nascimento, em 7 de julho de 2006, defende políticas públicas de igualdade racial e celebrações de cotas para negros e indígenas como vitória da sociedade civil e do público.
  • Sueli Carneiro, em 27 de dezembro de 1999, critica a invisibilidade de afro-brasileiros na televisão e Em defesa de políticas públicas inclusivas que reconheçam a identidade étnico-cultural.
  • Os textos integram uma análise sobre inclusão na democracia brasileira, destacando ações afirmativas como ferramenta de oportunidade e reparação para a população negra.

Nos anos de 1999 e 2006, dois expoentes do movimento negro brasileiro denunciaram mazelas raciais em textos veiculados pela Folha de S. Paulo. As peças, escritas por Abdias do Nascimento e Sueli Carneiro, permanecem atuais ao tratar da inclusão racial como agenda essencial da democracia.

Os textos integram a coletânea A palavra e o poder — uma travessia crítica por 40 anos de democracia brasileira (Civilização Brasileira, 2025). A obra reúne artigos publicados entre 1984 e a primeira década deste milênio, sob coordenação de Rodrigo Tavares e com contribuições de Flavia Lima e Naied Haddad.

Abdias do Nascimento, aos 92 anos em 2006, defendeu políticas públicas de igualdade racial e a continuidade da ação afirmativa. Em Ação afirmativa: o debate como vitória, ele celebrou a implantação de cotas em universidades públicas, destacando o papel da sociedade civil e do poder público no avanço da inclusão.

Em 1999, Sueli Carneiro destacou a invisibilidade das lutas negras na televisão e na imprensa. Em seu texto, ela critica produções que perpetuam uma visão escravocrata e reforçam estereótipos, apontando a necessidade de representatividade e políticas públicas inclusivas para a população negra.

A obra contextualiza ainda o debate sobre raça, reconhecendo que a biologia não explica as desigualdades, mas que as estruturas sociais as consolidam. Abdias reconhece que a meta não é o fim do racismo, e sim ampliar oportunidades e a autoestima da população negra, com uma visão de longo prazo.

A discussão sobre cotas já ganhava chão no país. Em 2002, universidades públicas passaram a adotar políticas de reserva de vagas, enquanto o movimento negro ganhava espaço político e social para ampliar a participação cidadã. A produção de Sueli Carneiro ressalta que a mídia pode reforçar ou enfrentar preconceitos.

A coletânea aponta que, desde então, ações afirmativas têm contribuído para maior diversidade no ambiente educacional e cultural. Abdias e Sueli aparecem como exemplos de resistência e continuidade na luta por igualdade de direitos e oportunidades.

A leitura conjunta dessas análises oferece uma visão crítica sobre a evolução da inclusão racial no Brasil. A obra destaca a importância de manter a agenda de políticas públicas e de comunicação inclusiva como pilares de uma democracia mais ampla.

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