- O Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, contratou uma empresa ligada à produção do filme Dark Horse para instalar Wi-Fi na periferia de São Paulo, com suspeitas de superfaturamento.
- O contrato entre a Prefeitura de São Paulo e o ICB teve valores auditados de até R$ 157 milhões, sendo que o acordo original era de R$ 108 milhões para 5 mil pontos de internet sem fio.
- A auditoria aponta distorções de preço: enquanto a Prodam cobrava R$ 306 por ponto, o ICB recebia R$ 1.800 pelo mesmo serviço; além disso, faltaram 1,8 mil antenas instaladas, totalizando 3,2 mil pontos em vez de 5 mil.
- Houve pagamento de R$ 2,7 milhões pela manutenção de 128 pontos por 12 meses, quando o serviço durou apenas dois meses; o custo correto seria de cerca de R$ 273 mil.
- O dinheiro do contrato teria sido desviado para a Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., de Alex Leandro Bispo dos Santos — conhecido como “Escorpião do PCC” — que, segundo as investigações, recebeu mais de R$ 12 milhões e, até dezembro de 2025, já quase chegou a R$ 3,8 milhões. A polícia investiga possível financiamento da produção de Dark Horse com recursos desviados.
O Ministério Público de São Paulo aponta o empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como Escorpião do PCC, como integrante da facção criminosa. Ele é sócio da Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda., contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalar Wi-Fi na periferia de São Paulo. O ICB é presidido por Karina Ferreira da Gama, também sócia da Go Up Entertainment, produtora do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro.
As investigações da Polícia Civil apuram superfaturamento em contrato da Prefeitura de São Paulo com o ICB. Originalmente orçado em 108 milhões de reais, o acordo pode chegar a 157 milhões. A auditoria aponta distorções de preço entre a Prodam, que cobrava 306 reais por ponto, e o ICB, que recebia 1.800 reais por ponto.
Perguntas-chave
A execução do contrato mostra falhas graves: foram instaladas 3,2 mil antenas de 5 mil previstas. Em um caso, a cidade pagou 2,7 milhões de reais pela manutenção de 128 pontos por 12 meses, quando o serviço durou apenas dois meses. O preço deveria ter ficado em cerca de 273 mil reais.
A apuração indica que 12 milhões dos recursos totais foram repassados à Favela Conectada, de propriedade de Alex Leandro. Até dezembro de 2025, a empresa recebeu mais de 3,8 milhões desse montante. A polícia investiga possível desvio para custeio de Dark Horse.
Histórico criminal
Alex Leandro possui mais de 60 processos. Entre as condenações, há três por roubo e uma por extorsão mediante sequestro, envolvendo um sobrinho de Eduardo Suplicy. Cumpriu 13 anos em regime fechado em unidades de segurança máxima, incluindo Presidente Venceslau.
Movimentos recentes indicam ligação com o PCC: vizinhos gravaram Alex afirmando ter o “Escorpião do PCC”, código atribuído ao grupo. O empresário está em prisão preventiva e responde por feminicídio, acusado do assassinato de Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, ocorrido em novembro de 2025 no Vila Andrade, Zona Sul de São Paulo.
A investigação também aponta manobras para ocultar a participação de Alex no negócio. Nos contratos iniciais com o ICB, ele assinava apenas com o primeiro nome, sem CPF ou RG. Em dezembro de 2025, após a repercussão do feminicídio, a Favela Conectada mudou de razão social para Urban Connect, com controle transferido a Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, que reside no mesmo endereço de Alex.
Entre na conversa da comunidade