- A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo abriu apuração sobre o hacker Patrick Brito, suspeito de negociar delação contra policiais com o Ministério Público Federal, em segredo de Justiça.
- Patrick Brito vive na Sérvia para evitar extradição e foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol em doze de junho.
- As mensagens atribuídas a ele, enviadas à cúpula da Secretaria da Segurança Pública, são descritas como ameaçadoras e mencionam possível repercussão contra autoridades, incluindo o governador.
- O processo aponta para suposta coação no curso do processo; há relatos de invasões de dispositivos de investigados e de tentativa de obter provas de forma ilegal.
- O caso envolve o delegado Carlos Henrique Cotait e a investigadora Cindy Orsi Nozu, com relatos de cooptação de Brito para invasões e obtenção de informações sigilosas.
A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo abriu uma investigação sobre o hacker que negocia com o Ministério Público Federal um acordo de colaboração para delatar policiais envolvidos em suposto espionagem. O procedimento, instaurado em abril e em segredo de Justiça, ganhou nova dimensão com mensagens atribuídas ao hacker que teriam sido enviadas a autoridades da Secretaria da Segurança Pública (SSP). Em 12 de junho, Patrick Brito, que vive na Sérvia tentando evitar a extradição, foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.
A SSP informou que Patrick Brito é alvo por suposta coação no curso do processo. O órgão afirma que o caso envolve mensagens enviadas à cúpula da SSP, descritas como ameaçadoras. A decisão de abertura do procedimento não especifica o processo alvo da suposta coação, limitando-se a mencionar as comunicações atribuídas ao hacker.
A apuração envolve ainda registros de ameaças e a relação entre o hacker, o delegado Carlos Henrique Cotait e outros membros da Polícia Civil. O material aponta para a suposta cooptação de Brito pela equipe de Cotait para invadir dispositivos de investigados e obter provas de forma ilegal, além de tentativas de manipular investigações envolvendo autoridades estaduais.
Quem é o hacker de Araçatuba
Patrick Brito, de 27 anos, já foi preso em Araçatuba em 2021 por invadir o celular do então prefeito Dilador Borges e tentar extorsão. Segundo relatos, ele passou a atuar para a equipe de Cotait, fornecendo informações de investigados e recebendo pagamentos por meio de envelopes deixados na casa da mãe.
A investigação aponta que Brito recebeu orientações para invadir dispositivos de suspeitos, inclusive de Márcio França, na época governadores, segundo mensagens atribuídas à delegada Cindy Nozu, hoje na Polícia Federal. O objetivo seria fundamentar mandados de prisão e sustentar denúncias contra autoridades.
Entre os desdobramentos aparecem indícios de extorsão contra o médico Franklin Cangussu Sampaio, ligado a Márcio França, que levou à detecção do hacker. O caso envolveu troca de mensagens entre Brito e membros da equipe de Cotait, com acusações de participação na invasão e na coleta de informações sigilosas.
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