- O senador Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após reunião com o presidente Lula, em busca de conter possíveis impactos do escândalo do Master na campanha de reeleição.
- A Polícia Federal aponta que Wagner atuou no Legislativo a favor dos interesses do ex-banqueiro Master, em troca de vantagens como um apartamento avaliado em cerca de 2,5 milhões de reais e ingressos para o camarote de um show em Los Angeles; a empresa ligada à esposa de um enteado do parlamentar também recebeu repasse milionário.
- Antes de deixar o cargo, Wagner acionou o Supremo Tribunal Federal contra a PF, alegando ter sido vítima de erro grave e afirmando que atuou contra os interesses do Master; o ex-ministro Fernando Haddad sustenta a mesma versão.
- Lula decidiu afastar o companheiro com foco na estratégia eleitoral, priorizando a manutenção da vantagem do PT na Bahia.
- A nova missão de Wagner é apoiar Jerônimo Rodrigues na Bahia, buscando a reeleição do governador, além de defender as duas vagas no Senado para o PT; na Bahia, Lula venceu o segundo turno em dois mil e vinte e dois com setenta e dois vírgula doze por cento frente a setenta e sete vírgula oitenta e oito por cento de Bolsonaro, uma diferença de três milhões setecentos e quarenta mil setecentos e oitenta e sete votos.
Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após reunião com Lula, que mantém uma relação de amizade de quatro décadas com o parlamentar. A decisão, segundo Wagner, foi tomada em comum acordo para reduzir impactos do escândalo envolvendo o chamado Master na campanha de reeleição do presidente.
A Polícia Federal aponta que Wagner atuou no Legislativo em defesa de interesses de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro. Em contrapartida, o senador teria recebido um apartamento avaliado em cerca de 2,5 milhões de reais e ingressos para um show em Los Angeles, com valor informado acima de 60 mil reais. A empresa da esposa de um enteado do parlamentar também teria sido beneficiada.
Antes de deixar o cargo, Wagner acionou o Supremo Tribunal Federal para contestar a ação da PF, alegando ter atuado contra o Master. O ex-ministro Fernando Haddad endossa essa versão. O andamento das investigações deve esclarecer os vínculos apontados pela apuração.
Nova missão
No lugar da liderança, Wagner assume um papel estratégico voltado à eleição na Bahia, estado que governou duas vezes e é o quarto maior colégio eleitoral do país. A Bahia reúne 11,28 milhões de eleitores e é considerada prioritária para o PT.
A tarefa central é apoiar Jerônimo Rodrigues na disputa pelo governo e consolidar as duas vagas ao Senado: Wagner e Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil. Além disso, o objetivo é ampliar a vantagem de Lula sobre a oposição no estado.
Na Bahia, o desempenho de Lula pode influenciar a reeleição no conjunto do Nordeste. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro na Bahia no segundo turno por 72,12% a 27,88%. A diferença foi de cerca de 3,74 milhões de votos.
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