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Como as megaprisões de Bukele viraram modelo para a direita radical

Modelo de Bukele ganha adesão de direita na região e na Europa, mas críticos alertam para violações de direitos humanos e viabilidade limitada em outros países

Preso no Cecot, em El Salvador
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  • O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, com megaprisões e detenções em massa, ganhou simpatia de setores de direita na América Latina e na Europa.
  • Na Colômbia, o candidato Abelardo de la Espriella afirmou que iria construir sete megaprisões inspiradas em Bukele; no Peru, Keiko Fujimori também incluiu a ideia no plano de segurança, prometendo quatro penitenciárias e uma megaprisão.
  • Na França, o líder da direita radical citou Bukele ao falar sobre superlotação carcerária, ressaltando o modelo como referência.
  • Especialistas destacam que o chamado “modelo Bukele” não é facilmente exportável e pode envolver autoritarismo eleitoral e violações de direitos humanos, questões levantadas por críticos.
  • Experimentos no Equador e em Honduras não obtiveram resultados de queda sustentada da violência, atolando-se em índices altos e levando especialistas a questionarem a eficácia do modelo.

O modelo de segurança adotado por Nayib Bukele, presidente de El Salvador, baseado em megaprisões e detenções em massa, ganhou espaço entre líderes de direita na América Latina e na Europa. A promessa é reduzir a violência por meio de ações contundentes contra gangues.

Em El Salvador, Bukele tem defendido uma política de pulso firme, com uso de regime de exceção e prisões de alto impacto. A abordagem gerou apoiadores que a veem como eficaz, mas também críticas por impactos aos direitos humanos e à supervisão institucional.

Nos últimos pleitos na região, a referência a Bukele apareceu com frequência. Na Colômbia, o candidato Abelardo de la Espriella prometeu megaprisões inspiradas no modelo salvadorenho, segundo apuração preliminar de votos.

No Peru, a candidata Keiko Fujimori elevou a ideia ao centro de sua plataforma de segurança, anunciando planos de construir quatro penitenciárias e uma megaprisão para réus de alta periculosidade, citando o Cecot como referência.

Na Europa, o tema ganhou contornos no debate sobre superlotação carcerária. O dirigente do Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, mencionou as vagas criadas por Bukele para ilustrar a solução ao problema francês.

Analistas ressaltam que o modelo não é facilmente exportável. O contexto político e institucional de El Salvador, com maior concentração de poder, ajuda a sustentar as políticas, dizem especialistas.

A pesquisadora Sonja Wolf, da Universidade Panamericana, afirma que o termo modelo pode ser enganoso. Ela aponta que o regime de exceção envolve detenção em massa e restrições judiciais, além de impactos sobre a democracia.

Wolf destaca que a promoção externa das políticas contribui para a legitimação do poder de Bukele. Ela ressalta que a popularidade é um componente central para manter o governo.

Em fevereiro de 2024, Bukele foi reeleito com mais de 80% dos votos, segundo a gestão de campanha. Ele atribuiu os resultados à receita salvadorenha, defendendo que o país passou de um dos mais inseguros para um dos mais seguros.

Críticos lembram que a aplicação do modelo depende de condições específicas. Em Equador, desde 2023, o governo de Daniel Noboa adotou medidas de segurança mais duras, com prisões de caráter máximo, sem redução clara da violência.

Honduras também implementou ações inspiradas, com estados de exceção e militarização, mas não houve queda sustentada na violência. Dados de 2025 apontam índices elevados de homicídios no país.

Defensores e críticos divergem sobre a eficácia do que ficou conhecido como estilo Bukele. Observadores ressaltam que a redução de homicídios, quando ocorre, pode ter custos institucionais significativos.

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