- Polícia Civil e Ministério Público investigam suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC envolvendo a Transunião, com uso de “ônibus fantasmas” para inflar o patrimônio da empresa.
- O capital social da Transunião teria passado de R$ 105 mil para R$ 50,2 milhões, por meio de boletins de subscrição que declaravam ônibus como aporte sem lastro econômico real.
- Em alguns casos, os veículos apresentados como novos aportes já faziam parte da frota ou estavam ligados a “laranjas”; houve separação entre titularidade formal e beneficiários econômicos.
- Foram cumpridos cinco mandados de prisão temporária e 104 de busca e apreensão; entre os presos estão o vereador Senival Moura e o diretor informal Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”.
- A prefeitura determinou intervenção na Transunião, com a SPTrans assumindo a gestão temporária para manter o transporte e empregos; a empresa opera dois lotes na Zona Leste.
A investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo aponta irregularidades na concessionária Transunião, responsável por operar 50 linhas na Zona Leste da capital. Ação envolve uso de veículos para inflar o patrimônio social e atender a requisitos de licitação.
Segundo as apurações, parte dos ônibus apresentados como novos aportes não tinha lastro econômico real. Em alguns casos, os veículos já integram a frota da empresa ou estavam atrelados a supostos laranjas, o que dificultaria o rastreamento da titularidade.
A operação resultou em cinco prisões temporárias e 104 mandados de busca e apreensão. Entre os presos estão o vereador Senival Moura (PT), o diretor informal Jair Ramos de Freitas, conhecido como Cachorrão, e Devanil de Souza Nascimento, o Sapo.
A defesa de Moura contesta as acusações e afirma inocência do parlamentar, ressaltando atuação pública há anos. A Transunião é ligada a Moura por participação societária, segundo a investigação, mas os advogados destacam regularidade de ativos e impostos.
Intervenção da prefeitura
O prefeito determinou intervenção na Transunião, com gestão temporária pela SPTrans. A medida busca assegurar a continuidade do serviço e preservar empregos e contratos, enquanto as investigações prosseguem.
A intervenção será conduzida por equipe conjunta da SPTrans, da Procuradoria Geral do Município, da Secretaria da Fazenda e da CGM. O interventor é Ângelo Fêde, funcionário de carreira da SPTrans.
A prefeitura ressalta que a Transunião opera dois lotes de transporte, possui três garagens e transporta cerca de 262 mil passageiros por dia. A vigilância busca apurar irregularidades sem interromper o serviço público.
Estrutura societária
A investigação aponta que veículos eram associados a dois grupos: o cooperado formal, visto como laranja, e o cooperado oficial, detentor econômico real. Planilhas apreendidas indicam a separação entre titularidade formal e benefício econômico.
A Polícia Civil e o MP-SP entendem que a forma de operação visava dificultar a rastreabilidade do dinheiro e ocultar a verdadeira titularidade de bens, atribuindo aparência lícita aos recursos.
Contexto e próximos passos
A ação envolve suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e fraudes em licitações públicas. A apuração segue enquanto autoridades coletam documentos e ouvem testemunhas para esclarecer o envolvimento de responsáveis pela operação.
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