- STF suspende julgamento de embargos de declaração sobre a lei 14.701/23 após pedido de vista do ministro Edson Fachin.
- Embargos discutem pontos do acórdão de 2025 que confirmou a inconstitucionalidade do marco temporal e fixou diretrizes sobre indenizações, retenção de ocupantes e demarcações.
- O relator Gilmar Mendes votou por não conhecer os embargos apresentados por terceiros interessados; divergência parcial de Cristiano Zanin, que defende critérios mais restritos para indenização da terra nua.
- Sobre o prazo de 180 dias para o Poder Público cumprir as providências, Mendes fixou começando a partir da publicação da ata de julgamento em 7 de janeiro de 2026.
- No que trata de indenizações, Mendes manteve que a União é responsável pela indenização pela terra nua, com direito de regresso contra o ente responsible pela titularidade indevida, mantendo distinção entre benfeitorias e retenção.
O Supremo Tribunal Federal (STF) viu avançar, nesta sessão, a suspensão de analisar embargos de declaração sobre a lei 14.701/23, que regulamenta reconhecimento, demarcação, uso e gestão de terras indígenas. O pedido de vista foi feito pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, interrompendo o julgamento.
Os recursos reivindicam esclarecimentos sobre pontos do acórdão de 2025, que afastou o marco temporal, mas estabeleceu diretrizes para aplicação da lei e para a solução de conflitos fundiários. Até o pedido de vista, o relator era Gilmar Mendes, que havia votado pela rejeição dos embargos e pela manutenção dos pontos centrais do acórdão.
A defesa também abrange o direito de retenção de ocupantes não indígenas até o pagamento do valor incontroverso, bem como as regras de transição e as indenizações previstas. O voto de Mendes recebeu apoio de Alexandre de Moraes, formando a base da posição até então apresentada aos autos.
Pontos discutidos no julgamento
Cristiano Zanin abriu divergência parcial, defendendo restrições maiores à indenização pela terra nua e questionando a abrangência dos embargos. A discussão envolve, ainda, como os temas do Tema 1.031 se conectam aos embargos em apreciação.
No contexto, o STF mantém o foco na constitucionalidade da lei 14.701/23, que regula terras indígenas, incluindo marco temporal, indenizações, permanência de não indígenas e procedimentos de demarcação. O julgamento dialoga com o entendimento de repercussão geral já firmado sobre a não dependência da presença física para Direitos territoriais.
Aspectos operacionais e prazo
Entre os itens em análise está o prazo de 180 dias para o cumprimento das determinações do acórdão. A Advocacia-Geral da União sustenta que o prazo começa após o trânsito em julgado; Mendes rejeitou, fixando o início na publicação da ata de julgamento. A decisão passa a ser exigível a partir desse momento.
A indenização pela terra nua, segundo Mendes, deve considerar a boa-fé apenas em casos específicos, preservando o direito de retenção até pagamento do valor incontroverso ou até expedição de precatório. A União fica responsável pela indenização, com possibilidade de regresso ao ente titular da área.
Regime de transição e efeitos
O relator reiterou que atos administrativos concluídos até 27/9/23 não podem ser reabertos, e que laudos antropológicos já finalizados devem seguir as regras vigentes na data de entrada em vigor da lei. Em relação aos laudos, destacou que conclusão ocorre com entrega documentada à Funai.
A divergência de Zanin aponta para uma leitura mais estreita das hipóteses de indenização pela terra nua, defendendo critérios mais rígidos e maior coerência com o Tema 1.031. A votação continua aberta, sem encerramento do tema.
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