- O Brasil tem a oportunidade de construir um mercado de gás verdadeiramente doméstico e competitivo, com expansão da malha de gasodutos, viabilização do gás não convencional e crescimento do biometano.
- Atualmente, o país exporta cerca de quarenta e cinco por cento da sua produção de petróleo e importa parte da gasolina e do diesel, devido à falta de investimentos em refino, processamento e infraestrutura de gás.
- A insuficiência de investimentos leva à reinjeção de mais de cem milhões de metros cúbicos por dia, limitando a oferta interna e mantendo os preços do gás elevados.
- Eliminar gargalos de infraestrutura poderia reduzir essa reinjeção para patamares de aproximadamente trinta e cinco milhões de metros cúbicos por dia, elevando a produção em até trinta e três milhões e quinhentos mil metros cúbicos diários—quase o dobro do gás importado em dois mil e vinte e cinco.
- O fechamento do Estreito de Ormuz, em vinte e oito de fevereiro de dois mil e vinte e seis, expôs a vulnerabilidade energética do Brasil e a necessidade de um projeto nacional de segurança energética e alimentar.
O Brasil vive um momento estratégico na segurança e no abastecimento de energia. O fechamento do Estreito de Ormuz, em 28 de fevereiro de 2026, expôs vulnerabilidades já conhecidas, como a dependência de redes de logística e de refino. O país é rico em fontes primárias, mas ainda não se tornou exportador líquido de energia.
Especialistas apontam que a ausência de investimentos em refino, processamento, escoamento e transporte impacta diretamente os custos ao consumidor. O diesel e o gás natural são exemplos onde déficits estruturais elevam preços e restringem a oferta interna.
Segundo estimativas, eliminar gargalos de infraestrutura pode reduzir a reinjeção de gás para 35% do volume produzido, gerando ganho de até 33,5 milhões de m³/dia. Esse ganho seria quase o dobro do gás importado em 2025.
Oportunidade de um mercado doméstico de gás
A expansão da malha de gasodutos, a viabilização do gás não convencional e o crescimento do biometano aparecem como os três pilares dessa agenda. A melhoria da infraestrutura permitiria uso interno mais intenso e reduziria a dependência de importações.
Dados indicam que hoje o Brasil exporta cerca de 45% da produção de petróleo e importa parte significativa de gasolina e diesel. A falta de investimentos em infraestrutura compromete a oferta interna de gás e eleva o custo ao consumidor.
Desafios do setor elétrico e da política energética
O setor elétrico do país, com forte capacidade instalada, ainda depende do clima. Fontes intermittentes reduziram a reserva hídrica de 5,9 meses em 2004 para 3,1 meses em 2026, elevando a importância das térmicas para a segurança energética.
Especialistas afirmam que políticas públicas alinhadas aos recursos naturais e aos segmentos estratégicos — agronegócio e energia — são fundamentais. Países que dominam sua cadeia energética projetam maior segurança.
Caminho para a soberania energética
Brasil possui cana, milho, soja, vento, sol, petróleo, gás natural, carvão e urânio. O que falta, segundo analistas, é vontade política e planejamento de Estado. O momento atual é visto como janela para avançar, ou permanecer dependente em futuras crises.
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