- O conflito entre o senador Flávio Bolsonaro e a madrasta Michelle Bolsonaro escalou, com ela acusando-o de desrespeito e maltrato, e renunciando ao comando do PL Mulher.
- Michelle, tratada como uma das vozes mais importantes junto a mulheres conservadoras e evangélicas, pode ter ficado enfraquecida na estratégia de ampliar apoio feminino para Flávio.
- Pesquisas mostram dificuldades de Flávio e do pai Jair Bolsonaro em conquistar eleitoras, com Lula à frente entre as mulheres em um eventual segundo turno.
- Alguns eleitores demonstraram preocupação com a dificuldade de indicar candidatas mulheres, destacando a necessidade de maior força feminina na política.
- Flávio realizou reunião com dezenas de mulheres políticas conservadoras e sinalizou tentativa de aproximação, enquanto Michelle avalia candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.
O conflito entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro ganha novo capítulo ao se intensificar a disputa pública entre o senador e a ex-primeira-dama. Michelle deixou a presidência do PL Mulher em meio a divergências abertas com os enteados. A crise expõe dificuldades da direita em ampliar o apoio entre eleitorado feminino.
A tensão ganhou contornos ao viralizar um vídeo no qual Michelle acusa Flávio de desrespeito e de agir contra o envolvimento dela nos assuntos do partido. Ela disse ter se afastado por sentir que não haveria espaço para seu apoio. O episódio aumenta a percepção de desgaste estratégico na relação familiar que envolve a base de apoio ao partido.
Michelle, considerada porta-voz de mulheres conservadoras e evangélicas, vinha sendo enviada a todo o país para mobilização. Sua saída do PL Mulher retira de Flávio uma peça-chave para ampliar o alcance junto ao eleitorado feminino, que historicamente mostrou resistência ao candidato da família.
Disputa interna e cenários
Pesquisas recentes apontam dificuldades de Flávio em crescer entre mulheres, repetindo um desafio observado nas campanhas anteriores da família. Em levantamento do BTG Pactual/Nexus, Lula lidera entre mulheres, com 55% a 37% no segundo turno hipotético, enquanto Flávio mantém vantagem entre homens.
Entre todos os eleitores, Lula aparece com 49% ante 43% de Flávio, indicando vantagem do incumbente no cenário atual. Especialistas destacam que, em eleições muito disputadas, pequenas variações podem ter impacto decisivo no resultado final.
A desavença também preocupa eleitores próximos ao eleitorado da direita. Uma advogada entrevistada mencionou as dificuldades de indicar candidatas femininas, refletindo o desafio de ampliar participação feminina no cenário político.
Desdobramentos políticos
Flávio tem buscado associar-se a uma imagem mais moderada e já foi visto com camisetas temáticas ao longo de visitas públicas. Há também conversas sobre indicar uma mulher para a vice-presidência ou, ainda, sobre candidaturas ao Senado, incluindo nomes como Daniella Marques.
Apesar dos gestos de conciliação, aliados próximos de Michelle relatam que a briga familiar persiste nos bastidores. Em Brasília, Flávio reuniu dezenas de mulheres políticas conservadoras, em uma tentativa de ampliar apoios, mas Michelle não compareceu.
Ao longo do episódio, parte do eleitorado permanece atento ao desfecho da racha entre a ex-primeira-dama e membros da família. Pesquisas indicam que parte do public permanece avaliando o impacto desta disputa na candidatura presidencial da família Bolsonaro.
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