- Durante a II Semana do Clima da Amazônia, em Belém (PA), lideranças indígenas, quilombolas, extrativistas e produtores rurais mostraram ações já em prática para reduzir o desmatamento nos territórios da região.
- O painel discutiu estratégias para o fim do desmatamento e a necessidade de transformar promessas em políticas públicas permanentes, para alinhar políticas, financiamento e parcerias.
- O Brasil já assumiu o compromisso de pôr fim ao desmatamento, segundo o diretor Executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, André Guimarães, mas é preciso consolidar esse compromisso em políticas duradouras.
- Ações destacadas incluem fortalecer a regularização fundiária, ampliar a participação social, investir em educação ambiental e manter jovens no campo para reduzir a pressão sobre as florestas.
- A ideia é levar as contribuições da sociedade civil à presidência da COP trinta e transformá-las em políticas públicas no Brasil, com foco em fiscalização, incentivos à conservação e acesso a financiamentos climáticos.
Durante a II Semana do Clima da Amazônia, em Belém (PA), líderes de comunidades tradicionais apresentaram ações que reduzem a perda florestal e cobraram políticas públicas para o fim do desmatamento. O evento ocorreu no IPAM, com participação de produtores, povos tradicionais e representantes de organizações da região. A conjuntura visa transformar compromissos da COP30 em políticas permanentes.
Segundo André Guimarães, diretor Executivo do IPAM e Enviado Especial para a Sociedade Civil na COP30, o Brasil já assumiu o fim do desmatamento, mas é preciso converter a promessa em políticas públicas contínuas. O debate destacou a necessidade de alinhar florestas, finanças e mercado com ações que protejam ecossistemas.
Ao longo do encontro, autoridades destacaram caminhos para reduzir o desmatamento sem comprometer a produtividade. Pesquisas citadas apontam que é possível triplicar a produção agropecuária sem ampliar a área desmatada, por meio de técnicas já aplicadas na região, como rotação de pastagens e integração lavoura-pecuária-floresta.
Participantes enfatizaram que o diálogo deve incluir a diversidade dos povos amazônicos. Ângela de Jesus, produtora de Alto Pindorama, ressaltou a importância de fortalecer redes entre comunidades para enfrentar violência de facções e melhorar a regularização fundiária, a agricultura familiar e a permanência de jovens no campo.
Joaquim Belo, líder extrativista do Amapá e dirigente do CNS, reforçou a necessidade de educação ambiental de qualidade nas comunidades, para preservar a floresta e disseminar práticas que reduzam impactos ao meio ambiente. A educação também deve alcançar quem pratica atividades prejudiciais à natureza, conforme o relato dele.
Sineia do Vale, da UNFCCC e do CIMC, pediu participação indígena na construção das soluções climáticas desde o início. Ela destacou que povos já elaboram planos de adaptação climática e defendem acesso a mecanismos de financiamento internacional para comunidades, sem depender de intervenções externas.
Aurélio Borges, da Malungu, observou avanços na regularização fundiária quilombola no Pará, mas apontou conflitos que persistem. Ele também citou dificuldades de acesso a recursos de conservação e a necessidade de simplificar o crédito para manter a floresta em pé.
A discussão na semana será apresentada à presidência da COP30. André Guimarães disse que as contribuições da sociedade civil serão compiladas em um relatório a ser levado a Brasília e potencialmente incorporado no relatório final da COP31, na Turquia, em novembro.
Entre na conversa da comunidade