- Justiça Federal autorizou a Operação Exchange, da Polícia Federal, ligada a um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o crime organizado.
- Áudio de um investigado cita enviar R$ 100 mil para uma pessoa identificada como “Fabio Caipira do Deic”, apontando o delegado Fábio Pinheiro Lopes, ex-diretor do Deic e atual diretor do Dope.
- A decisão não afirma que o pagamento tenha sido feito; o delegado não foi formalmente acusado.
- No áudio de 15 de maio de 2024, Romany Cutolo Bonente relata dificuldades financeiras do grupo e a necessidade de mandar os R$ 100 mil ao Deic, mencionando outras referências a Ratão, Dubai e Major.
- A PF diz ter utilizado dados telemáticos obtidos com autorização judicial a partir do celular de Victor Shimada, apontado como integrante do grupo, para indicar participação estruturada no esquema de recursos ilícitos.
A Justiça Federal autorizou a deflagração da Operação Exchange, da Polícia Federal, para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado. A nova decisão traz um áudio em que um dos investigados afirma a necessidade de enviar 100 mil reais a uma pessoa identificada como Fabio Caipira do Deic.
Segundo o documento, a referência a Fabio Caipira do Deic foi identificada a partir de consulta a fontes abertas, associando o apelido ao delegado Fábio Pinheiro Lopes, ex-diretor do Deic e atual diretor do Dope. O texto ressalta que o delegado não foi indiciado no caso.
A decisão não afirma que o pagamento tenha ocorrido e nem aponta participação direta de Lopes. Ele foi afastado do comando do Deic em dezembro de 2024 pelo governador, após ser citado em delação ligada ao PCC. Na época, o delegado negou as acusações.
Áudio e envolvimento dos investigados
O áudio citado foi gravado do celular de Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado pela PF como integrante da organização sob investigação. Em mensagem gravada na madrugada de 15 de maio de 2024, o advogado Romany Cutolo Bonente, conhecido como Roma, relata dificuldades para administrar valores das operações financeiras do grupo.
Na transcrição apresentada pela Justiça Federal, Romany afirma haver pendências financeiras com várias pessoas. Ele descreve uma suposta necessidade de enviar 100 mil reais ao Fabio Caipira do Deic, afirmando que o envio é necessário. As demais menções incluem o possível envolvimento de figuras como Ratão, com ligações no exterior, e menções a um Major, além de referências a uma rede com o Equador.
Contexto da investigação e desdobramentos
A PF aponta que os dados telemáticos analisados foram obtidos com autorização judicial para o compartilhamento de conteúdo do celular de Victor Shimada, preso em operação anterior relacionada a uma fraude cibernética milionária contra instituições financeiras. O material é interpretado pela autoridade policial como indicativo de participação estruturada dos investigados em um esquema de movimentação e ocultação de recursos ilícitos.
A decisão ressalta que as informações sobre pagamentos e ligações podem ter conexões com redes internacionais de tráfico de drogas, segundo a PF. O processo ainda não concluiu sobre a existência de repasse efetivo nem responsabilizações formais dos envolvidos no momento em que a decisão foi proferida.
O Portal não divulgou contatos de defesa nem manifestações oficiais de todos os envolvidos, mantendo o espaço para posicionamentos. A matéria se mantém baseada em documentos oficiais da Justiça Federal e em informações apresentadas pela Polícia Federal.
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