- A Polícia Federal deflagrou a operação Acesso Negado para apurar irregularidades em emendas Pix em Iracema e São Luiz do Anauá, em Roraima, envolvendo cerca de R$ 90 milhões.
- As emendas foram apresentadas por Jhonatan de Jesus (ministro do TCU, na época deputado), Antonio Nicoletti (PL-RR), Dr. Hiran (PP-RR, à época deputado) e Telmário Mota (ex-senador); os políticos não são alvos da operação.
- Foram cumpridos 41 mandados de busca e apreensão autorizados pelo STF, em estados como Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins; a investigação teve início a partir de auditorias da Controladoria-Geral da União.
- A CGU aponta irregularidades como uso da mesma conta para várias emendas, obras inacabadas e veículo de saúde usado para fins particulares; houve suspensão de repasses em 2024.
- Dados da auditoria indicam que Iracema recebeu aproximadamente R$ 55,7 milhões e São Luiz do Anauá, cerca de R$ 89,4 milhões, com falhas de transparência, metas e execução de serviços.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Acesso Negado para apurar supostas irregularidades em emendas Pix de parlamentares e de um ministro do TCU, em dois municípios de Roraima. A ação, realizada nesta sexta-feira (3), envolve repasses de cerca de R$ 90 milhões para Iracema e São Luiz do Anauá. Os alvos são políticos, mas não integrantes da PF.
Os mandados de busca e apreensão, totalizando 41, foram autorizados pelo STF e cumpridos em estados como Roraima, Bahia, São Paulo e Tocantins. A investigação teve origem em auditorias da CGU, determinadas pelo STF, com a suspensão de repasses em setembro, quando houve indícios de crimes.
A apuração envolve deslocamentos de verba via emendas Pix indicadas por Jhonatan de Jesus, quando deputado federal, Antonio Nicoletti, Telmário Mota e o senador Dr. Hiran, todos ligados a RR. A PF não aponta suspeitos entre os ministros ou políticos na operação.
Avanços e informações da CGU
Em 2025, a CGU identificou falhas na execução das emendas Pix em Iracema e São Luiz do Anauá. Em Iracema, o dinheiro movimentado na mesma conta de outras emendas dificultou o controle de gastos, segundo a auditoria.
O Estadão confirmou que Jhonatan de Jesus indicou R$ 42 milhões em emendas para Roraima, que resultaram em obras não concluídas e pavimentação com deficiências. Parte das emendas foi destinada à construção de casas, com poucos projetos efetivados.
Há ainda apontamentos de uso inadequado de recursos: uma van de saúde, ligada a uma emenda de Telmário Mota, foi encontrada em uso particular, com documento de autorização de evento religioso no para-brisa e itens desconhecidos na área de carga. O veículo não apresentava plotagem institucional.
A CGU apontou falhas de transparência e rastreabilidade em nove dos dez municípios auditados, incluindo indícios de superfaturamento, desvio de recursos e favorecimento de empresas. Em 10 entes, houve registro de ações sem comprovação de aquisição de bens e com prazos de vigência expirados.
A PF investiga também crimes de fraude em licitações, contratos administrativos, peculato, corrupção e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram apreendidos cerca de R$ 230 mil em espécie durante a operação, que não envolve o ministro nem os parlamentares como alvos diretos.
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