- O texto diferencia erro de diagnóstico de narrativa deliberadamente falsa usada para conquistar e manter o poder, destacando impactos econômicos e institucionais.
- Brexit: rede de promessas não cumpridas, como o slogan de que haveria £350 milhões a mais para o serviço público de saúde.
- Estados Unidos: invasão do Iraque em 2003 justificada por armas de destruição em massa nunca encontradas; divulgação dos Afghanistan Papers revelou promessas pouco realistas sobre o conflito no Afeganistão.
- América Latina: Argentina ocultou inflação por anos para parecer estável; Venezuela viveu hiperinflação, escassez e migração maciça.
- Brasil: décadas de promessas de crescimento sem reformas, equilíbrio fiscal e melhoria de serviços; redes sociais aceleraram a difusão de mentiras e a responsabilização ficou ausente.
O texto analisa como mentiras ganham espaço na política, distinguindo erros de diagnóstico de narrativas deliberadas para manter o poder. A autora questiona impactos econômicos, institucionais e históricos dessas falsas promessas.
A matéria lembra casos emblemáticos, como a previsão fracassada de recursos do Brexit e a promessa de que a saída da UE beneficiaria o NHS. O debate volta a ganhar força após artigo de Michael Heseltine.
Nos EUA, cita-se a invasão do Iraque em 2003, justificada pela existência de armas de destruição em massa, que nunca foram encontradas. A ação provocou mortes, instabilidade regional e mudanças geopolíticas duradouras.
Outra referência são os Afghanistan Papers, que mostraram divergências entre retórica oficial e avaliações internas sobre a viabilidade da vitória no Afeganistão. A retirada expôs contradições entre discurso público e prática.
Na América Latina, o texto aponta inflação subestimada na Argentina para parecer estabilidade, e promessas de prosperidade na Venezuela frente à hiperinflação e crises econômicas. A narrativa de melhorias não correspondeu à realidade.
No Brasil, a coluna afirma que governos de diferentes correntes prometeram soluções rápidas para problemas complexos, sem reformas estruturais ou controle de gastos. A promessa de mudanças rápidas persiste independentemente do partido.
O artigo discute ainda o papel das redes sociais: algoritmos valorizam indignação e emoção, acelerando a disseminação de informações falsas. A rapidez da mentira contrasta com a demora de correções.
A reflexão central questiona como sociedades premiam promessas impossíveis e por que há pouca responsabilização por mentiras em campanhas. A democracia depende da confiança entre eleitores, governos e instituições.
A autora conclui que não é apenas a mentira, mas a impunidade que a (des)legitima. O texto ressalta a necessidade de responsabilização para preservar mercados, instituições e a própria democracia.
Colaboração: Marcus Vinícius de Freitas, professor visitante na China Foreign Affairs University e Senior Fellow no Policy Center for the New South. As opiniões são do autor.
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