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Copa: camisas da seleção viram símbolo de polarização

Vitória contra o Japão vira instrumento político: números das camisas 13 e 22 são usados para polarizar e alimentar campanhas nas redes

O lateral direito Danilo Luiz e o atacante Gabriel Martinelli (Michael Regan/FIFA/Getty Images)
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  • Na partida Brasil x Japão, o gol da vitória foi marcado por Gabriel Martinelli aos 46 minutos do segundo tempo, após passe de Danilo que começou com um erro do lateral-direito.
  • Os dois jogadores vestem camisas com os números 13 (Danilo) e 22 (Martinelli), números associados, de forma coincidente, às urnas do PT e do PL.
  • Deputado Cabo Gilberto Silva publicou nas redes sociais que “no jogo e na política, o 13 entrega e o 22 salva”, associando os números à política.
  • Marina Braga, vereadora de São Bernardo do Campo, publicou montagem associando os gols aos números 13 e 22, com mensagem sobre a tentativa de derrubar e, no entanto, a salvação.
  • A reportagem destaca que não há relação comprovada entre as ações dos atletas e as ideologias, e acusa a instrumentalização política de tentar explorar a vitória para fins eleitorais.

A vitória do Brasil sobre o Japão, na última segunda-feira (29), reacendeu a polêmica política nas redes: a atuação de Danilo e Gabriel Martinelli foi associada a símbolos eleitorais, mesmo sem relação comprovada entre futebol e posições partidárias. O gol nos minutos finais garantiu o triunfo da seleção em solo japonês.

Danilo, autor do erro que abriu o placar para os japoneses, veste a camisa 13; Martinelli usa a 22. Emendam-se, de forma coincidente, os números símbolo do PT e do PL, o que originou interpretações rápidas em publicações de políticos de oposição. O episódio gerou ampla circulação de memes e mensagens.

A vereadora Marina Braga, de São Bernardo do Campo, replicou a ideia com uma montagem que associa os números 13 e 22 aos gols do jogo. Líderes locais e apoiadores reforçaram o argumento de que o lance foi decisivo tanto no campo quanto na política, sem qualquer relação factual entre as ações dos jogadores e posições partidárias.

Contexto e desdobramentos

Especialistas apontam que vinculações entre futebol e política a partir de números de camisas não correspondem a fatos verificáveis. A prática de instrumentalizar eventos esportivos para fins eleitorais é comum em períodos de campanha, mas não oferece base objetiva para avaliação dos atletas. As redes sociais registraram rápida disseminação de conteúdos que associam o resultado a preferências partidárias.

Em resposta, parte da imprensa e de analistas enfatizam a separação entre desempenho técnico e interpretações políticas. A imprensa esportiva destacou a importância do gol salvador de Martinelli, enquanto outras leituras reforçam a necessidade de evitar leituras politicamente motivadas que distorçam fatos.

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