- Crise envolvendo Michelle Bolsonaro e o chamado “grupo do exterior” expõe dificuldade de Flávio Bolsonaro em consolidar um perfil mais moderado para 2026, com Eduardo Bolsonaro como principal rosto.
- Núcleo no exterior provoca atritos: pressão por sanções e tarifas contra os Estados Unidos, conflitos sobre o Pix e ataques à atuação de Michelle, que expôs o desgaste publicamente.
- Flávio reagiu para afastar radicalismos, destacando a importância da unidade do campo bolsonarista e sua atuação para conter falas consideradas radicais, especialmente sobre voto feminino.
- Debate sobre a chapa de vice acompanha a crise: Eduardo defendeu Júlia Zanatta, enquanto alas pragmáticas defendem perfil mais técnico, como Daniella Marques, para ampliar apoio junto ao centro.
- O desgaste é visto como um desafio contínuo para a pré-campanha; a viagem de Flávio aos Estados Unidos é encarada como oportunidade de alinhamento com Eduardo e aliados.
O foco do conflito dentro do bolsonarismo ganhou mais um capítulo com a crise envolvendo Michelle Bolsonaro e o grupo denominado pelo entorno externo. O episódio expõe dificuldades de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em consolidar uma linha moderada para a pré-campanha presidencial de 2026 e ampliar relações com o centro.
O grupo ligado ao exterior, que inclui Eduardo Bolsonaro e aliados como Allan dos Santos, Alex Ramagem e Oswaldo Eustáquio, aparece em meio a disputas internas sobre postura de críticas, sanções externas, Pix e escolhas estratégicas para o vice na chapa. A crise teve início com a saída de Michelle da presidência do PL Mulher e ganhou contornos públicos com acusações contra o grupo.
Na semana passada, Michelle divulgou um vídeo de quase 30 minutos acusando Flávio de humilhação e de tentar excluir membros da tomada de decisões do partido. O material também atribui ao entorno bolsonarista ações contra a imagem pessoal da ex-primeira-dama, supostamente fora do País. O vídeo reacendeu tensões antigas entre o núcleo externo e a direção do PL.
Entre as ações atribuídas ao grupo externo estão pressões para impor sanções e tarifas aos Estados Unidos, críticas ao voto feminino e embates com outros nomes da direita. Em resposta, Flávio Bolsonaro afirmou que rejeita as falas radicais e destacou a necessidade de manter a unidade do campo bolsonarista.
Diversos atores próximos a Eduardo, que atuam no exterior, voltaram a criticar Michelle após o lançamento do vídeo. Ramagem, Allan dos Santos e Eustáquio passaram a ser alvo de cobranças internas, com ressalvas sobre o papel deles na estratégia de marketing político do irmão.
Em outras frentes, a crise já havia se mostrado persistente desde o início do ano, quando Flávio pediu a Eduardo que moderasse críticas a governadores aliados. Nos meses seguintes, novos atritos internos se somaram a episódios anteriores envolvendo negociações com o centro e a formulação da chapa de vice.
A viagem de Flávio aos Estados Unidos, programada para a próxima semana, é vista por interlocutores como oportunidade para alinhar discursos entre Eduardo, o núcleo externo e a coordenação de campanha. Mesmo sem cargo formal, as manifestações do grupo fora do país são consideradas parte do equilíbrio estratégico da pré-candidatura.
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