- Pesquisadores apontam que ataques ao rosto de mulheres revelam intenção de apagar a identidade das vítimas, com uso de força desproporcional.
- Caso recente envolve Alana Anísio Rosa, 20 anos, de São Gonçalo, atacada dentro de casa com uma faca; foram desferidos 30 golpes e ela ficou duas semanas em coma induzido; agressor, Luiz Felipe Sampaio, 22, foi preso em flagrante.
- A defesa da vítima busca classificar o caso como tentativa de feminicídio; a defesa do réu tenta enquadrá-lo como lesão corporal.
- Há subnotificação de violência de gênero; estudo com 3.193 usuárias do SUS na Grande São Paulo mostrou 76% relatando violência, mas apenas 3,8% tiveram a agressão registrada em prontuários.
- Trâmite legislativo: projeto de lei na Câmara propõe endurecer penas para agressões que causem lesão no rosto, pescoço ou partes íntimas de mulheres; depende da CCJ antes de ir a plenário e ao Senado.
Em 2026, quando a Lei Maria da Penha completa 20 anos, cresce o debate sobre violência contra a mulher. Pesquisadores apontam que ataques à face revelam a intenção de apagar a identidade das vítimas por meio de força desproporcional.
Entre os casos recentes está o de Alana Anísio Rosa, 20 anos, de São Gonçalo (RJ). A estudante foi alvo de uma tentativa de homicídio dentro de casa, apesar de não haver relação com o agressor.
Flores e mensagens anônimas chegaram à jovem no fim do ano passado, dizendo: para a mulher mais bonita de São Gonçalo. Luiz Felipe Sampaio, 22, frequentava a mesma academia, sem contato prévio com ela.
Desferiu 30 golpes na residência, após invadir o quintal armado com uma faca; a mãe de Alana interrompeu o ataque. A jovem ficou duas semanas em coma induzido e sobreviveu. O caso segue em tramitação.
A defesa de Alana busca a tipificação como tentativa de feminicídio. Os advogados do acusado defendem que o crime seja classificado como lesão corporal.
Subnotificação e marcas perpétuas
Casos de violência de gênero tendem a ficar subnotificados. Em estudo com 3.193 usuárias do SUS na Grande São Paulo, 76% relataram violência psicológica, física ou sexual, mas apenas 3,8% tinham o registro formal nos prontuários.
No litoral de São Paulo, outro caso é citado para ilustrar as sequelas da violência na face. Samira Khouri, 27, foi agredida pelo ex-namorado, Pedro Camilo Garcia Castro, 24, durante viagem. Ela descreve sequelas persistentes no rosto.
Castro permanece preso aguardando julgamento. Samira relata que acorda com a impressão de que o rosto não é mais o mesmo e que convive com a marca diariamente.
Projetos de acolhimento e alteração na lei
Organizações civis atuam para apoiar vítimas de ataques faciais. Em São Paulo, o Instituto Um Novo Olhar oferece reconstrução facial, apoio psicológico, orientação jurídica e assistência social, em parceria com o Hospital das Clínicas.
Casos de recuperação incluem Cristiane Gomes, que teve o rosto atingido pelo ex-marido. Ela, hoje, atua para conscientizar e amparar outras mulheres, mantendo a identidade protegida.
No âmbito legislativo, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara aprovou projeto que amplia penas para quem provoque lesões no rosto, pescoço ou áreas íntimas de mulheres. A proposta aguarda análise pela CCJ.
Panorama internacional
Casos com ataques ao rosto e uso de substâncias químicas motivam leis estrangeiras. Na Colômbia, a pressão popular resultou em lei com penas mais severas para ataques com ácido. Na Inglaterra, Katie Piper criou instituição de apoio a vítimas de crimes similares. Na Índia, Agra promove inclusão de ex-vítimas em empregos locais.
Alana Anísio Rosa, aos estudos para Medicina, volta a enfatizar a continuidade da identidade. Ela afirma manter a trajetória e objetivos, mesmo com o rosto marcado. A defesa mantém o foco na reconstrução e na reabilitação.
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