- Flávio Bolsonaro lidera críticas internas ao clã e segue atuando junto com o núcleo pró-Trump, incluindo uma carta ao escritório de Comércio dos EUA propondo adiamento de tarifas até após as eleições.
- No documento enviado ao USTR, ele argumenta que impor tarifas agora ajudaria o adversário Lula e inclui pesquisas para sustentar a posição.
- Em uma coletânea de 90 páginas para audiência pública no USTR, ele sinaliza abrir mão de acordos existentes para favorecer demandas dos Estados Unidos, como redução de regras do Mercosul e desoneração de cartões de crédito, além de defender o Pix com limitações.
- Sobre o Pix, afirma que foi criado pelo pai, mas há contestação histórica de que a tecnologia foi desenvolvida pelo Banco Central no governo Temer; ainda, o governo americano impôs sanções a dois brasileiros ligados ao PCC, surpresa para a Polícia Federal.
- O clã enfrenta ruídos internos, com críticas de aliados e apoiadores nos Estados Unidos, e pressão para que Flávio foque em palcos nacionais, especialmente no Rio de Janeiro, onde ainda não tem palanque consolidado.
Flávio Bolsonaro tenta abrir mão das turbulências internas do clã, porém segue sob escrutínio por ações políticas e declarações durante a corrida eleitoral. O foco é o que aconteceu, quem está envolvido, quando e onde, com relação às negociações com Washington e aos desdobramentos domésticos.
Em carta enviada ao escritório de comércio dos EUA (USTR) em meados de junho, o senador propôs manter uma equipe de transição para o governo Trump e, na audição agendada para 7 de outubro, apresentou uma linha de atuação que inclui adiamento de tarifas até após as eleições. A justificativa citou o impacto político na campanha e incluiu pesquisas de opinião.
O documento também defende flexibilizar regras econômicas, menciona o Mercosul e defende desoneração de cartões de crédito, apontando o Pix como ferramenta relevante, com ressalvas sobre operações transnacionais. Em sessão com o USTR, o foco é obter apoio a medidas que garantam competitividade de setores no Brasil.
Sanções e desdobramentos nos Estados Unidos
No âmbito da política de segurança, o governo americano impôs sanções a dois brasileiros ligados ao PCC: Victor Shimada e Stella Stefanie. A medida surpreendeu as investigações da Polícia Federal, que monitorava ativos no âmbito da Operação Exchange. Shimada fugiu e a PF planejou ações para evitar novas evasões.
Panorama político e repercussões internas
A agenda de Flávio também envolve aliados que atuam na militância digital e em pautas de governo, com apoio a posições pró-Trump. Eventuais ligações entre ações do clã e a gestão de alianças políticas no Brasil são alvo de vigilância pública e coberturas jornalísticas.
Contexto eleitoral e próximos passos
Com menos de 100 dias para as eleições, líderes bolsonaristas indicam cautela diante de eventuais sanções internacionais e tensões entre aliados. Em território americano, a participação de Flávio em eventos e viagens aos EUA permanece sob atenção e análise de analysts locais.
Mary Zaidan é jornalista.
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