- Abdi Nor Iftin, refugiado somali, foi selecionado em 2013 pelo programa de vistos de diversidade e hoje vive no Maine, tornando-se cidadão americano.
- Neste ano, ele perdeu o emprego na agência de reassentamento de refugiados e, com isso, o plano de saúde.
- Pesquisas indicam ceticismo: AP-NORC mostra que apenas um terço da população acredita que o sonho americano ainda existe; o Pew Research Center aponta que a maioria acredita que os melhores dias ficaram para trás.
- Há sinais de saída de americanos: muitos buscam Canadá e outros países; o ator Luke Mullen planeja se mudar para Vancouver, onde obteve cidadania canadense.
- Especialistas dizem que o sonho continua vivo para muitos, mas tornou-se mais difícil de alcançar; o ideal envolve liberdade e direitos, não apenas riqueza.
O sonho americano, legado dos pais fundadores, ainda recebe atenção nos EUA. Um retrato parcial aponta que a confiança no ideal diminui conforme o país se aproxima do aniversário de 250 anos de independência. Dados recentes mostram esse cenário.
Abdi Nor Iftin chegou aos EUA em 2013, selecionado entre quase 8 milhões de candidatos pelo programa de vistos de diversidade. Ele viveu no Quênia antes de se estabelecer no Maine, conseguir emprego e tornar-se cidadão americano.
Neste ano, Iftin perdeu o emprego em uma agência de reassentamento de refugiados e ficou sem o plano de saúde. A história dele ilustra a transição entre a realização de um sonho e as dificuldades atuais de acesso a serviços.
Luke Mullen, ator da Califórnia, planeja transferir-se ao Canadá por falta de oportunidades em Hollywood. Casos como o dele ajudam a entender a percepção de que a indústria cinematográfica dos EUA enfrenta desafios de investimento e produção locais.
Perspectivas em números
Pesquisa da Associated Press-NORC apontou que apenas cerca de um terço da população acredita que o sonho americano ainda existe. Outros levantamentos apresentam resultados semelhantes, com variações regionais.
Estudos do Pew Research Center indicam que a maioria considera que os melhores dias do país já ficaram para trás. O debate sobre o tema ocorre em um momento de grande polarização política.
O ideal é amplamente associado à ideia de liberdade, mobilidade e oportunidades econômicas, mas as avaliações variam conforme geração e contexto econômico.
Migração, mercado de trabalho e escolhas
Dados sobre migração mostram queda no fluxo de novos imigrantes para os EUA. A política recente de endurecimento da imigração influenciou esse movimento, com restrições a entradas legais, incluído programas de diversidade.
Casos como o de Mullen evidenciam que muitos profissionais buscam oportunidades no exterior. Vancouver, no Canadá, tem atraído investimentos e oferecido incentivos para atrair produção audiovisual, fortalecendo a competição com Hollywood.
Apesar das dificuldades, há quem mantenha o otimismo. Pesquisadores destacam que muitos imigrantes de primeira geração relacionam o êxito econômico à qualidade de vida, segurança e oportunidades para as futuras gerações.
Legado e dúvidas
Especialistas ressaltam que o sonho americano permanece presente como ideia central da identidade dos EUA, mesmo com dúvidas sobre sua realização prática. A curiosidade é entender como manter o impulso para as próximas décadas.
Ao longo da história, o sonho já foi visto como motor de inclusão, mas também enfrentou críticas por não contemplar plenamente grupos marginalizados. A conversa sobre seu alcance continua em curso.
Iftin, hoje no Maine, revela que, apesar das adversidades, ainda reconhece o amor pelo país. Ele aponta que, se pudesse voltar no tempo, manteria a escolha de buscar os EUA, considerado por ele o primeiro amor.
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