- Alice Webb, 33, morreu menos de 24 horas após um BBL não cirúrgico com preenchimento, em clínica temporária; inquérito será realizado no outono.
- O caso reacende o debate sobre a indústria de estética no Reino Unido, com tratamentos injetáveis disponíveis em salões, escritórios alugados e espaços semelhantes.
- A organização Save Face relata casos graves de danos e infecções provocados por procedimentos cosméticos, destacando riscos associados a profissionais não médicos.
- Autoridades estudam regulação mais rígida, mas o Reino Unido continua com regime de menor supervisão para profissionais não médicos e não possui um regulador estatutário equivalente.
- O mercado cresce rapidamente: em 2025, quase vinte mil profissionais atuavam em Botox no país, ante cerca de 3,5 mil em 2023; a participação de não médicos quase dobrou, de 12% para 24,8%.
A morte de Alice Webb, 33 anos, em setembro de 2024, após um lifting não cirúrgico de glúteos (BBL) com dermoencheimento, acendeu o debate sobre o crescimento do setor estético no Reino Unido. O inquérito deverá apurar a causa da morte, ocorrida menos de 24 horas após o tratamento realizado em uma clínica temporária dentro de um salão de beleza alugado. O caso envolve questões de regulação e segurança de procedimentos não médicos.
Alice foi uma das primeiras vítimas registradas de BBL não cirúrgico no país, prática que tem ganhado espaço em salões, escritórios alugados e quartos de hotel. Ao mesmo tempo, relatos de pacientes que passaram por procedimentos semelhantes descrevem dor intensa, infecções e sequelas em áreas tratadas, mesmo quando os slogans de segurança eram promovidos pela indústria.
A reportagem que investigou o tema, divulgada nos últimos anos, aponta que dermoenchedimentos e outros procedimentos estéticos passaram de ambientes clínos para espaços de conveniência, com pouca supervisão profissional. Organizações de credenciamento denunciam casos de danos graves e eles defendem normas mais rígidas na prática.
A sensação de crescimento rápido não vem apenas de clientes, mas também da expansão de profissionais que atuam fora de ambientes médicos. Pesquisas indicam aumento no número de esteticistas não médicos, assim como maior disponibilidade de aplicações de Botox em áreas com menor renda, o que levanta dúvidas sobre acesso a profissionais qualificados.
O Reino Unido é citado como um dos mercados estéticos mais pouco regulamentados da Europa. Embora médicos, enfermeiros e dentistas tenham supervisão profissional, não há um órgão regulador único para profissionais não médicos que administram preenchimentos ou toxina botulínica. Em resposta, autoridades da Escócia e da Inglaterra estudam medidas regulatórias mais rígidas.
Especialistas destacam ainda que a prática se tornou comum por facilitar acesso e reduzir custos, mas ressaltam que o desconhecimento sobre limitações e a necessidade de avaliação por profissionais de saúde persistem entre consumidores. A crítica não é apenas à fiscalização, mas ao modelo regulatório que, segundo pesquisadores, facilita a atuação de profissionais sem qualificação médica.
Estudos recentes estimam que, em 2025, havia quase 20 mil profissionais realizando Botox no país, com crescimento rápido entre 2023 e 2025. A pesquisa aponta que a participação de não médicos no setor de estética quase dobrou, de 12% para 24,8%. Além disso, a densidade de serviços é maior nas áreas mais pobres, apesar de haver menor acesso a profissionais médicos qualificados.
Regulação e desafio
- Em comparação internacional, países como Áustria restringem procedimentos invasivos a médicos, enquanto na França há restrições para não médicos.
- Organizações como a Joint Council for Cosmetic Practitioners defendem mudanças regulatórias para ampliar a supervisão e a segurança de procedimentos.
- A indústria argumenta que o equilíbrio entre escolha do consumidor, crescimento econômico e regulação eficaz continua em debate, diante do volume de procedimentos realizados fora de ambientes clínicos.
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