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Líderes compram créditos de carbono da Amazon ligados a madeira

Análise aponta inconsistências em dois projetos REDD+ na Amazônia, sugerindo lavagem de madeira e uso de créditos por empresas como GOL, Nestlé, Toshiba e PwC

An analysis of two carbon credit projects in the Brazilian Amazon has found that they may be connected to illegal timber laundering.
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  • Duas áreas de REDD+ na região sul do Amazonas, Unitor e Fortaleza Ituxi, são investigadas por indícios de lavanderia de madeira, com inconsistências entre o volume de madeira declarado e o estimado por imagens de satélite.
  • A análise do Center for Climate Crime Analysis (CCCA) aponta que 84.886 m³ de madeira poderiam ter sido apoiados por DOFs falsos, o suficiente para lavar mais de 4.2 mil caminhões de madeira.
  • Créditos dessas obras foram vendidos para empresas como GOL, Nestlé, Toshiba e PwC, entre outros, com grandes volumes ligados aos projetos Fortaleza Ituxi e Unitor.
  • Investigações anteriores do IBAMA, em 2021 e 2023, já indicavam fraudes em DOFs e suspensões de planos de manejo; os responsáveis refutam ou afirmam auditorias, enquanto a Verra afirma aguardar mais detalhes.
  • O mercado de créditos de carbono no Brasil tem enfrentado críticas de credibilidade, com debates sobre a eficácia de auditorias independentes e a falta de regulação formal, apesar de projetos seguirem normas de certificação de entidades como a Verra.

Two REDD+ projects na Amazônia brasileira podem ter servido para lavar madeira de áreas desmatadas ilegalmente. A análise foi publicada pelo Center for Climate Crime Analysis (CCCA), ONG da Holanda. Créditos dessas iniciativas já foram vendidos a marcas e companhias internacionais.

Os projetos analisados são Fortaleza Ituxi e Unitor, localizados no município de Lábrea, no estado do Amazonas, somando 140.862 hectares. Juntos, visam evitar 660.598 toneladas de CO2 por ano, protegendo áreas sob pressão de desmatamento.

A investigação do CCCA partiu de um pedido da Mongabay e de informações de uma fonte anônima. O estudo identifica inconsistências entre o volume de madeira declarado às autoridades e o volume estimado por imagens de satélite.

Segundo o CCCA, essas discrepâncias sugerem que o espaço pode ter sido utilizado para lavar o equivalente a mais de 4.2 mil caminhões de madeira. A empresa Grupo Ituxi, responsável pelos dois projetos, nega vínculos com lavagem de madeira e afirma que tudo é auditado e verificado.

O sistema brasileiro de origem da madeira envolve o DOF, documento que registra a origem florestal. A investigação aponta que, em alguns trechos, houve extração declarada no DOF superior ao volume estimado por imagens, sinalizando possível uso indevido de créditos de madeira.

Força-tarefa da Polícia Federal e do IBAMA já haviam registrado indícios de lavagem de madeira em áreas ligadas aos dois projetos. Em 2021, inspeções em Divisa, na fronteira, levantaram suspeitas sobre DOFs ligados a Fortaleza Ituxi. Em 2023, operações em fazendas do Unitor suspenderam aceitação de planos de manejo florestal.

Ricardo Stoppe Jr., líder dos projetos, nega irregularidades e afirma que a empresa atua apenas na mediação de relações comerciais. Já Élcio Moço, envolvido em casos anteriores de lavagem de madeira, aparece na documentação ligada a um dos projetos, com histórico de condenação.

Verra, maior certificadora de créditos de carbono, afirmou que analisa com cautela as informações apresentadas, sem comentar detalhes específicos. Auditores usados nos projetos incluem empresas internacionais, que segundo especialistas podem não garantir independência total diante de financiadores.

Entre os clientes de Fortaleza Ituxi estão Moss, iFood, Itaú, Hering, Toshiba e Nestlé. Ecopetrol, Sigma Lithium e PwC aparecem como principais compradores de créditos emitidos pelo Unitor. GOL também consta entre as empresas que adquiriram créditos de Stoppe.

A Mongabay cita que a Moss afirmou ter adquirido créditos antes de quaisquer irregularidades alegadas. GOL reforçou que seus créditos são auditados. Empresas como Nestlé e Ecopetrol divulgaram modelos de aquisição com parceiros reconhecidos, sem acusar irregularidades.

Investigadores apontam que, em parte, os créditos de Unitor teriam sido usados para financiar operações ligadas a Chaules Pozzebon, conhecido como um dos maiores desmatadores da região. Pozzebon está detido, com penas ligadas a crimes ambientais, conforme registros judiciais.

Em resposta, o Grupo Ituxi sustenta não haver relação entre Pozzebon e a gestão atual dos projetos. A investigação continua para confirmar a extensão das possíveis irregularidades, com análises técnicas em curso para auditar volumes de madeira e DOFs.

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