Em 2024, trinta cidades brasileiras registraram temperaturas médias pelo menos 3ºC acima das médias históricas dos últimos 80 anos, em um contexto de aquecimento global. A pesquisa, conduzida pela pesquisadora Ana Paula Cunha do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), revela que o fenômeno é impulsionado por fatores globais, como as […]
Em 2024, trinta cidades brasileiras registraram temperaturas médias pelo menos 3ºC acima das médias históricas dos últimos 80 anos, em um contexto de aquecimento global. A pesquisa, conduzida pela pesquisadora Ana Paula Cunha do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), revela que o fenômeno é impulsionado por fatores globais, como as mudanças climáticas e o El Niño, além de questões locais, como o desmatamento e a degradação do solo. Os dados foram obtidos através de informações de satélites e medições, utilizando o banco de dados ERA5 do serviço climático europeu Copernicus.
Pedrinhas Paulista (SP) lidera o ranking com um aumento de 3,24ºC, seguida por Florínea (SP) e Sertaneja (PR), ambas com 3,22ºC. A pesquisa mostra que a maioria dos municípios afetados está localizada no Sudeste e Sul do Brasil, com São Paulo e Paraná concentrando o maior número de cidades com aumentos significativos. No total, 975 municípios apresentaram elevações entre 2ºC e 2,99ºC, enquanto 1.318 municípios registraram aumentos de 1,5ºC a 1,99ºC.
O meteorologista Marcelo Seluchi destaca que o aumento de temperatura é alarmante, ressaltando que meio grau Celsius já é considerado significativo. Ele explica que a escassez de chuvas e a frequência de ondas de calor, associadas ao El Niño, contribuíram para o cenário. A falta de umidade e a presença de áreas desmatadas intensificam o aquecimento, pois a vegetação nativa retém mais umidade, reduzindo a temperatura do ar.
A pesquisa também aponta que a seca na Amazônia e a falta de nebulosidade têm impacto direto nas regiões que dependem da umidade dessa área. A análise, que considera o território brasileiro em sua totalidade, revela que o aquecimento não é homogêneo, com algumas áreas enfrentando condições climáticas extremas, como o Pantanal e o sertão de Minas Gerais e Bahia, que também registraram aumentos significativos de temperatura.
Entre na conversa da comunidade