A Toca do Tatu, localizada no Geoparque Cânions do Sul em Timbé do Sul, Santa Catarina, é uma caverna composta por dois túneis que somam 48,5 metros de comprimento. Com uma entrada larga o suficiente para a passagem de um veículo utilitário, a caverna desperta interesse por sua origem, que, segundo especialistas em paleontologia, pode […]
A Toca do Tatu, localizada no Geoparque Cânions do Sul em Timbé do Sul, Santa Catarina, é uma caverna composta por dois túneis que somam 48,5 metros de comprimento. Com uma entrada larga o suficiente para a passagem de um veículo utilitário, a caverna desperta interesse por sua origem, que, segundo especialistas em paleontologia, pode estar ligada a preguiças gigantes que viveram na região há mais de 10 mil anos. Néstor Toledo, anatomista do Museu La Plata, afirma que esses animais “podem ter começado a escavar para se protegerem de climas mais frios e áridos”.
A pesquisa, publicada na revista Nature, reitera estudos anteriores de 2012, que indicam que a Toca do Tatu serviu como refúgio para animais pré-históricos antes de ser utilizada por populações pré-colombianas. As evidências incluem depressões nas paredes e no teto da caverna, que, segundo os pesquisadores Francisco Buchmann e Heinrich Frank, têm características que sugerem marcas de garras. Eles identificam que os túneis podem ter sido escavados por grupos de preguiças dos gêneros Scelidotherium, Mylodon, Glossotherium ou Lestodon.
Os tamanhos dos túneis indicam que os animais poderiam ter dimensões consideráveis, como o Scelidotherium leptocephalum, que pesava até uma tonelada, ou o Glossotherium robustum, que chegava a três metros de comprimento e 1,5 tonelada. A formação geológica da Toca do Tatu, oriunda da Formação do Botucatu, é composta por rochas que, apesar de sólidas, são suficientemente macias para serem escavadas, o que contribui para a formação de tais estruturas.
Estima-se que existam entre 1.500 e 2 mil dessas “paleotocas” na América do Sul, especialmente no Brasil e na Argentina, mas nenhuma foi encontrada em outros continentes. Essa exclusividade geográfica levanta questões sobre a evolução e adaptação dos animais que habitaram a região durante a era do gelo, quando as condições climáticas eram drasticamente diferentes das atuais.
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