Mais de 500 moradores da zona leste de São Paulo enfrentaram uma espera de até dez horas para receber o benefício emergencial de R$ 1 mil após as enchentes. Na escola municipal Mururés, no Jardim Helena, foram informados de que não seriam mais atendidos, resultando em confusão e confrontos com a polícia, que usou bombas […]
Mais de 500 moradores da zona leste de São Paulo enfrentaram uma espera de até dez horas para receber o benefício emergencial de R$ 1 mil após as enchentes. Na escola municipal Mururés, no Jardim Helena, foram informados de que não seriam mais atendidos, resultando em confusão e confrontos com a polícia, que usou bombas e gás lacrimogêneo. Apenas 300 pessoas que haviam recebido senha no dia anterior conseguiram ser atendidas, enquanto muitos, incluindo idosos e crianças, permaneceram na fila.
Além da falta de atendimento, as vítimas relataram problemas com a comida fornecida nos abrigos. Em um episódio na escola estadual Heckel Tavares, marmitas entregues pela prefeitura estavam estragadas, gerando queixas sobre o mau cheiro e a qualidade da alimentação. Os moradores, ilhados há pelo menos quatro dias, têm contado com a ajuda de vizinhos para suprir suas necessidades básicas, enquanto a prefeitura afirma ter distribuído cerca de 20 mil refeições e outros itens emergenciais.
A administração municipal reconheceu a entrega de mais de 1.200 cartões para as famílias afetadas, mas ainda analisa 3.500 cadastros para verificar a elegibilidade para o benefício. A prefeitura justificou a suspensão dos novos cadastros devido à presença de pessoas de áreas não afetadas e a duplicidade de residências. Moradores expressaram frustração, alegando que as promessas não foram cumpridas e que estão sendo tratados com descaso.
As declarações de moradores refletem a gravidade da situação. Silvana dos Santos, diarista, afirmou: “Prometeram, e agora estão se negando a fazer o cadastro das vítimas da enchente.” Outros, como Marinaldo Cardoso, relataram que a comida entregue estava azeda, mas que não tinham outra opção a não ser consumi-la. A situação continua crítica, com muitos lutando para sobreviver em meio à falta de apoio efetivo do poder público.
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