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Agricultores de San Pedro de Casta restauram canais incas para garantir água em Lima

- Catalina Olivares, agricultora de 88 anos, testemunha mudanças climáticas em sua região. - Comunidade restaurou 66 quilômetros de amunas, garantindo 10 milhões de m³ de água. - Ministério do Ambiente aprovou estratégia nacional para mudanças climáticas até 2050. - Jovens estão retornando, trazendo tecnologia e esperança para a agricultura local. - A celebração da Champería mantém tradições ancestrais e preserva recursos hídricos.

Catalina Olivares Corpus, agricultora de 88 anos de San Pedro de Casta, no Peru, testemunha as mudanças climáticas que afetam sua comunidade. “El agua es la vida”, afirma, mas a escassez de chuvas e a imprevisibilidade das estações têm prejudicado a produção agrícola, especialmente de tubérculos. Nos últimos 20 anos, as colheitas de papa e […]

Catalina Olivares Corpus, agricultora de 88 anos de San Pedro de Casta, no Peru, testemunha as mudanças climáticas que afetam sua comunidade. “El agua es la vida”, afirma, mas a escassez de chuvas e a imprevisibilidade das estações têm prejudicado a produção agrícola, especialmente de tubérculos. Nos últimos 20 anos, as colheitas de papa e habas diminuíram drasticamente, levando a comunidade a depender cada vez mais da água armazenada em poços municipais, que não é suficiente para todos.

O Serviço Nacional de Meteorologia e Hidrologia do Peru (Senamhi) alerta que, entre 2036 e 2065, a temperatura deve aumentar e as chuvas se tornarão ainda mais irregulares, impactando a saúde humana e a agricultura. “Os jovens se vão em busca de oportunidades”, diz Victor Rojas Calixtro, prefeito local, destacando a migração como um efeito colateral da crise hídrica. O censo de 2017 revelou que a maioria da população local é composta por idosos, com muitos jovens deixando a região.

Em resposta à crise, a comunidade se uniu para restaurar as amunas, antigos canais de irrigação incaicos. “Todos vamos obrigatoriamente a cuidar as amunas”, afirma Catalina, ressaltando o trabalho voluntário para preservar a água. Recentemente, foram reabilitados 66 quilômetros de amunas, que agora fornecem 10 milhões de metros cúbicos de água aos rios Santa Eulalia e Rímac, essenciais para Lima, onde vivem 10 milhões de pessoas.

A comunidade celebra anualmente a Fiesta del Agua, uma tradição que remonta a séculos, e busca expandir suas culturas com novas técnicas de irrigação. O Ministério do Ambiente do Peru aprovou uma estratégia para enfrentar as mudanças climáticas até 2050, enquanto a comunidade aposta na recuperação de saberes ancestrais e na inovação para garantir um futuro sustentável. “Há esperança de que se cumpra o que sempre sonhamos”, conclui Eufronio Obispo, agricultor local.

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