A invasão russa da Ucrânia, além de causar mortes e deslocamentos, está gerando um impacto ambiental negativo que contribui para o aquecimento global. Em três anos de conflito, as emissões de gases de efeito estufa alcançaram 230 milhões de toneladas de CO₂eq (equivalente a dióxido de carbono), um volume comparável ao que 120 milhões de […]
A invasão russa da Ucrânia, além de causar mortes e deslocamentos, está gerando um impacto ambiental negativo que contribui para o aquecimento global. Em três anos de conflito, as emissões de gases de efeito estufa alcançaram 230 milhões de toneladas de CO₂eq (equivalente a dióxido de carbono), um volume comparável ao que 120 milhões de veículos com motor a combustão emitem anualmente. Para contextualizar, a Espanha, com quase 49 milhões de habitantes, emitiu cerca de 270 milhões de toneladas em 2023.
O estudo sobre a pegada climática da guerra foi elaborado por especialistas da Iniciativa de Contabilidade de GEE de Guerra, que considera todas as emissões atribuíveis ao conflito, tanto da Rússia quanto da Ucrânia. O autor principal, Lennard de Klerk, explica que a análise inclui emissões diretas da guerra e aquelas relacionadas à reconstrução futura, incêndios florestais e deslocamento de refugiados. As emissões aumentaram ao longo do tempo, começando com 21,9 milhões de toneladas no primeiro ano e totalizando 82,1 milhões após três anos.
Os principais responsáveis pelas emissões são os meios de transporte, como tanques e aviões de combate, que consomem grandes quantidades de diesel e querosene. A reconstrução de infraestrutura danificada também representa uma fonte significativa de emissões, estimando-se que 62,2 milhões de toneladas de gases resultem do uso de materiais de construção intensivos em carbono. Além disso, os incêndios florestais, exacerbados por um clima quente e seco, afetaram 92.100 hectares na Ucrânia em 2024, três vezes mais do que nos dois primeiros anos da invasão.
O relatório também analisa as emissões decorrentes da destruição da infraestrutura energética, incluindo ataques a depósitos de petróleo e a sabotagem do gasoduto Nord Stream. A Iniciativa de Contabilidade de GEE de Guerra, apoiada pela Fundação Europeia do Clima, conclui que a Federação Russa deve ser responsabilizada por essas emissões, estimando os custos climáticos em US$ 42 bilhões. De Klerk ressalta que este é o primeiro conflito armado a considerar a pegada climática da guerra, destacando os danos ambientais generalizados, como contaminação do solo e destruição de parques naturais.
Entre na conversa da comunidade