A queda da Ponte Juscelino Kubitschek no Rio Tocantins, em dezembro, resultou em 14 mortos e três desaparecidos, levantando preocupações sobre a segurança das pontes no Brasil. Dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) indicam que existem 736 pontes em estado crítico ou ruim, mas um estudo aponta que esse número pode ser […]
A queda da Ponte Juscelino Kubitschek no Rio Tocantins, em dezembro, resultou em 14 mortos e três desaparecidos, levantando preocupações sobre a segurança das pontes no Brasil. Dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) indicam que existem 736 pontes em estado crítico ou ruim, mas um estudo aponta que esse número pode ser 14 vezes maior, totalizando mais de 11 mil pontes em condições precárias. O levantamento, que analisou dados do Dnit e outras agências, revela que 42 mil pontes têm mais de cinquenta anos e requerem atenção especial.
A situação é alarmante, já que apenas 12.142 pontes foram inspecionadas, e dessas, 1.039 foram classificadas como críticas. O professor Ademir Santos, um dos responsáveis pelo estudo, destaca que a falta de fiscalização regular impede o conhecimento da condição de mais de 100 mil pontes no país. Na segunda-feira, o Dnit interditou a Ponte dos Índios, no Maranhão, após a constatação de corrosão que comprometeu a estrutura.
O Dnit está considerando reestruturar seu Programa de Manutenção e Reabilitação de Estruturas, com um investimento estimado de R$ 5,83 bilhões em 816 obras. No entanto, ainda não houve retorno das associações de engenharia sobre a viabilidade de atender a essa demanda. O estudo embasou o Manifesto pela Segurança e Manutenção das Pontes Brasileiras, que pede um orçamento de R$ 38 bilhões anuais para a reabilitação das estruturas.
Especialistas, como Ricardo Borges Kerr e Rafael Timerman, enfatizam a necessidade de um planejamento mais rigoroso e de atualizações nas normas de carga das pontes. O presidente da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Mario Esper, ressalta que, embora existam normas, a execução depende das agências de controle, que muitas vezes não as seguem adequadamente. O estudo revela que a maioria das pontes não apresenta sinais visíveis de deterioração antes de falhar, o que torna a fiscalização ainda mais crucial.
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