A Polícia Civil de Cuiabá investiga um caso de violência que envolve uma criança de 10 anos. O episódio ocorreu em 22 de maio, quando a mãe da menina, de 35 anos, solicitou punição a uma facção criminosa após descobrir que a filha estava em um motel com uma adolescente de 13 anos e um […]
A Polícia Civil de Cuiabá investiga um caso de violência que envolve uma criança de 10 anos. O episódio ocorreu em 22 de maio, quando a mãe da menina, de 35 anos, solicitou punição a uma facção criminosa após descobrir que a filha estava em um motel com uma adolescente de 13 anos e um homem de 63 anos.
A facção sequestrou a criança, cortou seu cabelo e a agrediu. A menina foi devolvida à mãe já ferida, apresentando lesões nos braços, antebraço esquerdo, polegar esquerdo e perna direita. O Conselho Tutelar encontrou a criança dias depois e a encaminhou para cuidados adequados. A mãe está sendo investigada por maus-tratos.
Ação da Facção
A mãe procurou um membro da facção para aplicar um “salve”, uma prática de punição comum entre organizações criminosas. A desembargadora Ivana David, do Tribunal de Justiça de São Paulo, destacou que essa é a primeira vez que um “salve” é aplicado contra uma criança. Segundo ela, o corte de cabelo é uma forma de “esculacho”, utilizada para humilhar e controlar mulheres.
O homem de 63 anos que estava com as meninas no motel deve responder por estupro de vulnerável. A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT) continua as investigações para apurar todos os crimes envolvidos. A atuação da mãe pode ser considerada como instigação dolosa, podendo resultar em acusações de tortura qualificada.
Contexto das Facções
Ivana David ressaltou que as facções atuam em áreas onde o Estado não chega, oferecendo serviços que vão além da criminalidade, como saúde e segurança. O Brasil possui pelo menos 88 facções criminosas ativas, sendo as mais conhecidas o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC). O enfrentamento dessas organizações requer políticas públicas efetivas, segundo a desembargadora.
A situação evidencia a necessidade de intervenções que priorizem a educação e a segurança, para que crianças e adolescentes escolham o Estado em vez do crime. A PJC-MT segue investigando o caso, e a responsabilização penal pode se estender a todos os envolvidos, mesmo sem a identificação de todos os agressores.
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