A Fundação Humanitária para Gaza começou a distribuir alimentos e suprimentos essenciais em Gaza, onde a situação se agravou após Israel parar de enviar mantimentos. Relatos de soldados israelenses indicam que disparos contra civis que buscam ajuda se tornaram comuns, resultando em 549 palestinos mortos e mais de 4 mil feridos desde o final de maio. Testemunhos de militares revelam que ordens foram dadas para atirar em multidões desarmadas, mesmo sem ameaças. O primeiro-ministro israelense e o ministro da Defesa negaram as acusações, mas os relatos são apoiados por civis e especialistas. A distribuição de alimentos tem sido caótica, com apenas quatro centros operando por pouco tempo, levando a muitos incidentes violentos. Soldados afirmam que disparam para afastar pessoas antes e depois da distribuição, e um oficial da GHF criticou essa abordagem. Alguns soldados veem a situação em Gaza como um “campo de extermínio”, e a investigação sobre os disparos é vista com ceticismo. Um porta-voz militar disse que o Hamas dificulta a ajuda e que não há ordens para atacar civis, enquanto a GHF enfrenta críticas por sua forma de operar.
Um mês após a Fundação Humanitária para Gaza (GHF) iniciar a distribuição de alimentos e suprimentos essenciais, relatos de soldados israelenses indicam que disparos contra civis em busca de ajuda se tornaram rotina. Desde 27 de maio, 549 palestinos foram mortos e mais de 4 mil ficaram feridos nas proximidades de centros de distribuição, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
Testemunhos de oficiais e soldados das Forças Armadas de Israel, publicados pelo jornal Haaretz, revelam que ordens foram dadas para disparar contra multidões desarmadas, mesmo sem ameaças. Um soldado afirmou que “matar inocentes virou rotina”, descrevendo como os disparos são usados para dispersar civis que tentam se aproximar dos locais de ajuda.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, rejeitaram as acusações, chamando-as de “mentiras mal-intencionadas”. No entanto, os relatos corroboram depoimentos de civis e análises de especialistas, que atestam o uso de armamentos contra palestinos em busca de alimentos.
Distribuição Caótica
A distribuição de alimentos pela GHF tem sido caótica, com multidões desesperadas correndo em direção às pilhas de caixas. Philippe Lazzarini, chefe da agência da ONU para refugiados palestinos, classificou a situação como “uma abominação”. Apenas quatro centros de distribuição operam em Gaza, geralmente por uma hora pela manhã, resultando em mais de duas dezenas de incidentes violentos.
Soldados relataram que o Exército israelense dispara para afastar pessoas antes e depois da distribuição. Um oficial da GHF considerou “inaceitável” que a única forma de comunicação seja abrir fogo, destacando que civis buscam ajuda, não representam uma ameaça.
Críticas Internas
A situação em Gaza é vista por alguns soldados como um “campo de extermínio”, com mortes diárias de civis. Um oficial da divisão mencionou que o general de brigada Yehuda Vach, comandante da Divisão 252, é um dos responsáveis por essa política de disparos. A Corregedoria-Geral Militar foi instruída a investigar os episódios de suspeita de crimes, mas muitos oficiais expressam frustração com a falta de ação.
Um porta-voz das Forças Armadas afirmou que o Hamas tenta dificultar a distribuição de alimentos e que as diretrizes proíbem ataques deliberados a civis. A GHF, que começou a operar após Israel interromper o envio de mantimentos, enfrenta críticas por sua abordagem militarizada e privatizada, com mais de uma dúzia de organizações humanitárias pedindo sua suspensão.
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