- Quatro fósseis brasileiros, incluindo dois peixes, um réptil e um tronco de planta, serão repatriados da Alemanha.
- O acordo foi assinado em 13 de outubro em Berlim.
- Os fósseis estavam em um museu em Hannover e incluem o peixe Vinctifer comptoni e o Notelops, além do réptil Mesosaurus tenuidens.
- O secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Inácio Arruda, afirmou que negociações para a devolução de outros fósseis estão em andamento.
- A professora de paleontologia Aline Ghilardi questionou a escolha dos fósseis repatriados, destacando a importância de holótipos para a descrição formal das espécies.
Quatro fósseis de origem brasileira, incluindo dois peixes, um réptil e um tronco de planta, serão repatriados da Alemanha. O acordo foi assinado em 13 de outubro em Berlim, e as negociações sobre a devolução de outros fósseis estão em andamento.
Os fósseis, que estavam em um museu em Hannover, incluem o peixe Vinctifer comptoni, que viveu há cerca de 115 milhões de anos na Bacia do Araripe, e o Notelops, que habitava os mares do Nordeste há 110 milhões de anos. O réptil aquático Mesosaurus tenuidens, que viveu na Bacia do Paraná há 280 milhões de anos, também faz parte do acordo, assim como um tronco de uma planta gimnosperma.
O secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (SEDES) do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Inácio Arruda, destacou que a devolução dos fósseis está sendo discutida entre as embaixadas do Brasil e da Alemanha. Ele também mencionou que o ministério está em contato com quatro universidades alemãs para o retorno de fósseis adicionais, alguns com grande valor científico.
Críticas e Expectativas
A professora de paleontologia Aline Ghilardi, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), questionou a escolha dos fósseis repatriados, pois não são holótipos, essenciais para a descrição formal das espécies. Ghilardi expressou preocupação de que o acordo possa ser uma forma de apaziguamento, sem compromisso com a devolução de fósseis mais relevantes, como o dinossauro Irritator, que está na Alemanha.
O secretário Arruda, por sua vez, ressaltou que o movimento de repatriação é recente, mas já trouxe resultados, como a devolução do dinossauro Ubirajara jubatus em 2023. Ele afirmou que o Brasil está em tratativas com outros países, como Inglaterra e Japão, para a devolução de fósseis holótipos.
Contexto da Repatriação
A Alemanha abriga uma quantidade significativa de fósseis que foram retirados do Brasil de forma irregular. Arruda afirmou que a disposição das instituições alemãs para cooperar com a repatriação é importante, mas a determinação do Brasil é fundamental. O secretário acredita que a Alemanha reconhece a origem dos fósseis e que o movimento de repatriação une a comunidade acadêmica e o governo brasileiro.
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