O governo do Camboja é acusado de ignorar sérias violações de direitos humanos, como escravidão e tráfico de pessoas, em locais onde golpes online são aplicados, de acordo com um relatório da Anistia Internacional. O documento, chamado “I Was Someone Else’s Property”, revela que muitas vítimas foram atraídas por anúncios de emprego nas redes sociais, mas ao chegarem ao país, eram levadas para lugares que se assemelham a prisões, onde eram forçadas a trabalhar em fraudes. A Anistia entrevistou 58 sobreviventes, incluindo crianças, e descobriu que em 32 casos as pessoas eram tratadas como escravas, com controle total exercido sobre elas. Os relatos incluem tortura e maus-tratos, com muitos sobreviventes afirmando ter sido agredidos por não cumprirem metas de trabalho. O governo é criticado por permitir que esses locais operem sem punição, e mesmo após promessas de investigação, muitos continuam ativos. Além disso, jornalistas e defensores dos direitos humanos que tentaram denunciar esses abusos enfrentaram perseguições e prisões, como no caso do fechamento do jornal Voz da Democracia em 2023. A Anistia Internacional afirma que o governo poderia agir para acabar com esses abusos, mas escolheu não fazê-lo.
O governo do Camboja é acusado de ignorar graves violações de direitos humanos, incluindo escravidão e tráfico de pessoas, em complexos dedicados a golpes online, segundo um relatório da Anistia Internacional. O documento, intitulado “I Was Someone Else’s Property”, foi divulgado recentemente e revela a realidade brutal enfrentada por vítimas que buscavam emprego.
Sobreviventes relataram que foram atraídos por anúncios de trabalho em plataformas como Facebook e Instagram. Uma jovem tailandesa de 18 anos, por exemplo, foi enganada com promessas de um emprego na administração e um alto salário. Ao chegar ao Camboja, as vítimas eram levadas para instalações semelhantes a prisões, cercadas por arame farpado e vigilância constante, onde eram forçadas a aplicar golpes online.
A Anistia Internacional entrevistou 58 sobreviventes de diversas nacionalidades, incluindo crianças. O relatório indica que, em 32 casos, as vítimas eram consideradas escravizadas, com os administradores exercendo controle absoluto sobre elas. Muitos relataram ter sido vendidos ou ameaçados com dívidas que precisavam ser pagas através do trabalho forçado.
Condições Desumanas
Os relatos incluem tortura e maus-tratos, com 40 dos entrevistados afirmando ter sofrido agressões. As torturas eram frequentemente aplicadas a quem não cumpria metas de trabalho. Além disso, o relatório menciona mortes ocorridas dentro desses complexos. O governo cambojano é acusado de permitir que esses empreendimentos criminosos operem com impunidade.
A Anistia Internacional destaca que, apesar das promessas de investigação por parte do governo, muitos dos complexos continuam em funcionamento. A organização também aponta que as intervenções policiais são superficiais, com mais de dois terços dos locais identificados ainda ativos após operações de resgate.
Retaliações e Silenciamento
Além disso, jornalistas e defensores dos direitos humanos que denunciaram esses abusos enfrentaram perseguições, incluindo prisões. O fechamento do jornal Voz da Democracia em 2023 é um exemplo de retaliação a reportagens sobre a crise dos golpes. A Anistia Internacional conclui que o governo cambojano poderia agir para acabar com esses abusos, mas optou por não fazê-lo, permitindo que a situação persista.
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