- O Reuters Institute for the Study of Journalism aponta que sites jornalísticos estão perdendo espaço, com parcelas mais jovens optando por redes sociais para se informar.
- Esse formato favorece bolhas de informação, já que o consumo ocorre por conteúdos curtidos por amigos e parentes, em vez de fontes jornalísticas que buscam o interesse jornalístico.
- O colunista Carlos Eduardo Lins da Silva ressalta prejuízos à sociedade quando as pessoas se informam apenas entre seus aliados ideológicos.
- Há um lado positivo: jornalistas passaram a produzir newsletters, ganhando espaço também no Brasil, com a plataforma Substack.
- A Substack é apresentada como líder no segmento, com 50 mil produtores de conteúdo e faturamento de US$ 40 milhões por ano.
Duas tendências opõem-se no jornalismo atual: a perda de espaço dos sites de notícias para as redes sociais e o surgimento de newsletters criadas por jornalistas, com destaque para plataformas como a Substack. Essas dinâmicas são apresentadas em boletim recente do Reuters Institute.
Segundo Carlos Eduardo Lins da Silva, parte da população mais jovem prefere consumir informações nas redes sociais, o que reduz a leitura de sites especializados. Ele afirma que esse comportamento favorece as bolhas informativas, pois as pessoas costumam compartilhar conteúdos de amigos e parentes.
O colunista aponta impactos para a sociedade e para o jornalismo: a leitura fragmentada pode afastar o público de uma cobertura jornalística aprofundada. A dependência de redes sociais, segundo ele, pode limitar o acesso a temas relevantes de forma ampla.
Por outro lado, o cenário também apresenta avanço. Lins da Silva destaca a criação de newsletters por jornalistas como resposta positiva à tendência de domínio das plataformas. Segundo ele, a Substack tornou-se referência nesse formato, com dezenas de milhares de produtores.
Dados da plataforma indicam que a Substack abriga cerca de 50 mil produtores de conteúdo, todos gerando receitas por meio de newsletters. O volume divulgado aponta para ganhos que chegam a cerca de US$ 40 milhões anuais, segundo a própria plataforma.
Para o autor, a adesão paga às newsletters é explicada pela sensação de escapar do algoritmo e da propaganda. Ele ressalta que esse modelo permite aos leitores acessar conteúdos diretamente no email, sem a interferência de modelos de publicidade.
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