- Jornalista Marcelo Rocha, do Mídia Ninja, afirma ter sido agredido fisicamente e alvo de ofensas de cunho racial durante a cobertura do Festival de Parintins, na madrugada de segunda-feira.
- Vídeos mostram Rocha sendo retirado do Bumbódromo pela equipe de segurança; ele diz que a agressora foi Maria Rita de Souza, identificada na área de PCD.
- Maria Rita de Souza sustenta ser vítima, nega racismo e afirmou ter tentado pegar o celular de Rocha; disse também ter um filho autista.
- O chefe da segurança, Hélio Aguiar, informou que não sabia da profissão de Rocha e que encaminhou ambos para a delegacia itinerante, afirmando ter conduzido a ocorrência sem apontar culpados.
- Governo do Amazonas, Ministério Público e os bois Garantido e Caprichoso emitiram notas de apoio à apuração, repudiaram discriminação e ressaltaram a importância da imprensa na cobertura do festival.
O jornalista Marcelo Rocha, do coletivo Mídia Ninja, afirma ter sido agredido fisicamente e alvo de insultos de cunho racial durante a cobertura do Festival de Parintins, no Amapá? No Amazonas. O episódio ocorreu na madrugada de segunda-feira, 29 de junho de 2026, dentro do Bumbódromo, enquanto Rocha acompanhava a entrada da cunhã-poranga do boi Garantido. Ele relata ter sido arrastado pela equipe de segurança até a área externa, após pedir apoio aos profissionais presentes.
A tensão teria começado quando Rocha tentou filmar a passagem da cunhã-poranga e foi cercado pela promotora de segurança, que solicitou que ele saísse do ângulo de visão da apresentação. Segundo o jornalista, uma mulher proferiu insultos racistas e, em seguida, houve agressão física, com o jornalista sendo carregado para fora do espaço. Vídeos da sequência mostram o momento de retirada do jornalista do Bumbódromo.
Versões em disputa
Maria Rita de Souza, identificada pela reportagem como a mulher envolvida, nega ter proferido ofensas racistas e afirma ter tentado afastar Rocha para evitar que o celular dele atrapalhasse a imagem da apresentação. Ela diz ter sido vítima e afirma que houve tentativa de tocar o celular de Rocha. A defesa de Rocha contesta a versão e aponta que o ataque ocorreu após a tentativa de filmagem.
O chefe da segurança do festival, Hélio Aguiar, informou que não soube, no momento do atendimento, que Rocha era jornalista credenciado e que, segundo ele, o registro inicial apontava apenas a agressão física. Aguiar confirmou que encaminhou as pessoas envolvidas à delegacia itinerante, a poucos metros do local. Ele também ressaltou que atua como segurança contratado pelo festival e como segurança particular de Isabelle Nogueira.
O governo do Amazonas divulgou nota oficial afirmando que as polícias Civil e Militar apoiaram o caso e que Rocha recebeu orientação para buscar advogados na Defensoria Pública durante a madrugada. A organização do evento afirmou não tolerar discriminação e colaborar com as autoridades na apuração.
O Ministério Público do Amazonas solicitou à Justiça a relação de profissionais de imprensa credenciados e de pessoas na área PCD, para ouvir depoimentos de testemunhas sobre a conduta da segurança e a suposta agressão. Bois Garantido e Caprichoso também se manifestaram, condenando a violência e destacando o papel da imprensa na cobertura do festival.
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