A Igreja Católica na Colômbia deverá desclassificar informações sobre casos de pederastia, conforme decisão da Corte Constitucional. A medida, anunciada nesta segunda-feira, atende a pedidos de jornalistas que buscavam acesso a dados sobre abusos sexuais cometidos por sacerdotes.
Os jornalistas Juan Pablo Barrientos e Miguel Ángel Estupiñán haviam solicitado acesso a arquivos que contêm denúncias de abuso infantil. A Igreja havia fornecido apenas 13% das informações solicitadas, revelando mais de 600 nomes de sacerdotes acusados. Barrientos expressou satisfação com a decisão, afirmando que, com o restante dos dados, é possível identificar até 5.000 denúncias.
Barrientos iniciou sua investigação há sete anos, inspirado pelo trabalho do Boston Globe. Após respostas incompletas da Arquidiócesis de Medellín, ele recorreu à Justiça, que já havia dado ganho de causa em outras ocasiões. A recente decisão da Corte, com cinco votos a favor e dois contra, prioriza o direito à informação dos jornalistas.
Acesso à Informação
A Corte também determinou que a Fiscalia General de la Nación forneça dados solicitados pela jornalista Andrea Díaz Cardona. Ela pediu informações sobre denúncias contra altos cargos da Igreja, e a Justiça deu um prazo de 48 horas para a resposta.
Um caso recente que gerou polêmica é o de Darío Chavarriaga, acusado de abusar de menores na década de setenta. A família denunciou que o caso foi comunicado ao então líder dos jesuitas, que supostamente encobriu o sacerdote. Barrientos afirmou que os jesuitas têm se negado a fornecer listas de acusados.
Os jornalistas aguardam a notificação da sentença, que estabelecerá um prazo para a entrega das informações. Barrientos já anunciou que tomará medidas legais contra qualquer sacerdote que não cumprir a ordem da Corte.
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