O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (6) que o Brasil não deve repetir o modelo de exportação de matérias-primas sem processamento e defendeu a industrialização de minerais críticos e terras raras em território nacional. A declaração foi feita durante reunião extraordinária do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Segundo Lula, o objetivo é aproveitar as reservas minerais brasileiras para desenvolver a indústria nacional e reduzir a dependência econômica de países como China e Estados Unidos.
“A gente quer explorar, tirar da terra, fazer a separação, a industrialização e o processamento aqui no Brasil”, afirmou. “Nós não queremos ficar dependendo da China, dos Estados Unidos. Nós queremos ser iguais a eles ou melhores do que eles. Nunca pior.”
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O presidente defendeu a participação de empresas estrangeiras na exploração dos recursos, desde que atuem em parceria com companhias brasileiras e realizem o processamento dos minerais no país.
“Pode ser americano, pode ser chinês, pode ser francês, quem quiser. Desde que queira participar junto com a empresa brasileira, desde que o processo de transformação seja feito aqui. Nós não seremos exportadores de produtos in natura outra vez”, disse.
Lula também comparou a exploração dos minerais críticos a outros ciclos econômicos da história brasileira, como os do ouro e do minério de ferro. Segundo ele, a exportação desses recursos nem sempre se traduziu em desenvolvimento para as regiões produtoras.
“A gente não vai deixar acontecer o que aconteceu com o ouro, que foi tudo para Portugal pagar dívida com a Inglaterra e para ela fazer a Revolução Industrial. E nós ficamos com os buracos aqui”, declarou. “O resultado produtivo nas cidades em que o mineral é explorado, quando a empresa vai embora, não é nada elogiável.”
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O petista afirmou ainda que pretende transformar o Brasil em uma potência econômica e reduzir sua dependência externa nos próximos quatro anos.
“Nós temos trabalhador, temos estudante, temos mulheres, temos pesquisadores, temos gente demais para fazer. Eu quero apenas, em quatro anos, tirar o Brasil do estágio de país em desenvolvimento e colocar o Brasil no estágio de Brasil desenvolvido, sem depender de ninguém para ele crescer e fazer as coisas”, disse.
Conselho aprova 27 minerais prioritários
Na quinta-feira (5), o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) aprovou, em sua primeira reunião, uma lista de 27 minerais críticos e estratégicos que terão diferentes níveis de prioridade na política industrial brasileira.
Nove recursos foram classificados como de alta prioridade: terras raras, grafita, lítio, níquel, cobalto, cobre, manganês, silício e urânio. Esses materiais são utilizados em setores como a fabricação de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e tecnologias de energia renovável.
A Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada em setembro, prevê incentivos ao processamento e à transformação desses recursos no Brasil, com o objetivo de agregar valor à produção e estimular investimentos industriais.
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