Bastien Vivès, quadrinista francês, enfrenta acusações de pornografia infantil em suas obras, que incluem representações de relações sexuais entre menores e adultos. O autor comparece à Justiça a partir desta terça-feira, 27 de fevereiro, em Nanterre, onde pode ser condenado a até cinco anos de prisão e uma multa de 75 mil euros.
As denúncias surgiram no contexto do movimento #MeToo, com várias associações de proteção à infância apresentando queixas. O Festival de Angoulême, importante evento de quadrinhos na França, cancelou uma exposição dedicada ao autor, que já havia sido premiado no festival em 2009. As obras “La Décharge mentale” e “Petit Paul” (2018) estão no centro da controvérsia, sendo criticadas por suas representações explícitas.
Richard Malka, advogado de Vivès, defendeu que não houve incitação à pedofilia em suas obras, comparando a situação a um autor de romance policial não sendo responsabilizado por crimes de seus personagens. As editoras Les Requins Marteaux e Glénat, que publicaram os álbuns, também enfrentam processos judiciais por difusão de imagens de menores em contextos considerados pornográficos.
A polêmica gerou reações intensas, incluindo ameaças físicas contra Vivès. Em junho de 2024, cinco pessoas foram condenadas em Paris por ameaçá-lo de morte. Além disso, mensagens antigas do autor, nas quais atacava a cartunista feminista Emma, vieram à tona, levando-o a reconhecer que seus comentários foram violentos e desrespeitosos. A situação continua a provocar debates sobre os limites da arte e a proteção de menores.
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