As buscas por desaparecidos políticos e a identificação de mortos pela ditadura militar no Brasil foram retomadas em 2024 pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. O trabalho ocorre no cemitério de Ricardo de Albuquerque, onde mais de 2.100 pessoas foram enterradas como indigentes entre 1970 e 1974.
Os corpos, inicialmente sepultados em covas rasas, foram posteriormente transferidos para um ossário geral e, na década de 1980, misturados em uma vala clandestina. Em 1990, uma força-tarefa identificou 14 corpos, mas a individualização não foi possível. A comissão voltou a atuar em 2024, identificando o 15º corpo, do estudante Joel Vasconcelos Campos, e o 16º, do camponês Félix Escobar Sobrinho.
Os peritos analisaram arquivos do cemitério, do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística Carlos Éboli. Durante os trabalhos, foi constatado que os materiais ósseos estavam em condições inadequadas, com partes remexidas e quebradas. A procuradora da República Eugenia Augusta Gonzaga, presidente da comissão, destacou que o material recuperado representa menos de 20% dos remanescentes da vala clandestina.
A expectativa é identificar os 16 corpos já associados ao local e descobrir outros desaparecidos políticos. Eugenia ressaltou que o Brasil não fez a devida transição da ditadura para a democracia, deixando muitas histórias sem resposta. O trabalho da comissão é um passo importante para promover reparação às famílias das vítimas.
Entre as vítimas identificadas, estão os militantes Almir Custódio de Lima, Ramires Maranhão do Valle, Ranúsia Alves Rodrigues e Vitorino Alves Moitinho, executados em 1973. Esses casos exemplificam a brutalidade do regime militar e a importância da memória histórica. A retomada das buscas é vista como essencial para reforçar a memória do que ocorreu no Brasil durante a ditadura.
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