A Morada Comum, uma organização ambientalista, anunciou que não participará da COP30, marcada para novembro em Belém. A decisão se deve à falta de diálogo com seus públicos-alvo, que incluem grupos tradicionalmente conservadores, como ruralistas e evangélicos. A entidade optará por eventos como a “COP do Agro”, que ocorrerá em Marabá (PA) um mês antes, onde pretende mapear as narrativas do agro mais conservador.
A fundadora e diretora-executiva da Morada Comum, Nathalia Rocha, afirmou que a pauta climática tem sido associada apenas à esquerda. Ela defende um ambientalismo inclusivo, que represente todos os brasileiros, independentemente de suas inclinações políticas. A organização rejeita o rótulo de ONG, buscando se aproximar de grupos que se sentem distantes das discussões ambientais.
Uma pesquisa realizada pela entidade em 2023 revelou que apenas dezoito por cento dos brasileiros se identificam com as pautas ambientais progressistas. A maioria dos entrevistados expressou orgulho de ser brasileiro, com quarenta e cinco por cento citando a natureza como principal motivo. Além disso, sessenta por cento acreditam que o agronegócio é positivo e que a preocupação ambiental pode prejudicar o desenvolvimento do país.
Projetos e Iniciativas
Atualmente, a Morada Comum desenvolve dois projetos principais: o Pecuária Tropical pelo Clima, que reúne pecuaristas comprometidos com a produção de baixo carbono, e um programa de capacitação para lideranças evangélicas, em parceria com a Aliança Nacional Evangélica. A organização também está explorando a possibilidade de envolver militares e influenciadoras do movimento “tradwifes” para discutir mudanças climáticas sob uma perspectiva conservadora.
Rocha, que começou sua trajetória em entidades progressistas, agora se considera de centro. Ela acredita que é essencial dialogar com pessoas de diferentes visões, incluindo seus familiares mais conservadores. A Morada Comum busca, assim, construir um espaço de diálogo que promova a sustentabilidade de forma abrangente e inclusiva.
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