Duas das principais plataformas de jogos, Steam e Itch.io, removeram recentemente centenas de títulos com conteúdo sexual após pressões de empresas de pagamento. Essa ação reacendeu o debate sobre censura no setor, evidenciando a vulnerabilidade das plataformas diante de movimentos conservadores.
A mudança na Steam ocorreu em 16 de novembro, quando a empresa anunciou novas regras que proíbem jogos que possam violar as normas dos processadores de pagamento. A Valve, responsável pela plataforma, confirmou que a decisão foi motivada por ameaças de empresas de cartão de crédito de suspenderem os serviços de pagamento. O site SteamDB observou que muitos jogos, especialmente aqueles com temas de incesto, foram excluídos, embora ainda existam títulos com conteúdo similar disponíveis.
Na sequência, a Itch.io também implementou um expurgo de jogos com a tag “NSFW” (não adequado para o trabalho) em 23 de novembro. O criador da plataforma, Leaf Corcoran, afirmou que todos os jogos afetados passarão por uma auditoria para garantir que não violem as normas dos processadores de pagamento. Ele destacou a importância de manter um bom relacionamento com esses parceiros para a continuidade da operação da loja.
A pressão para a remoção dos jogos começou com a ONG australiana Collective Shout, que denunciou a presença de títulos com temas de abuso sexual e incesto. Em entrevista à revista Wired, Caitlin Roper, gerente de campanhas da ONG, afirmou que foram identificados mais de 500 jogos com conteúdo problemático. No entanto, a censura afetou também jogos que não se enquadravam nessas categorias, como “Consume Me”, que havia sido premiado na GDC deste ano.
Desenvolvedores do jogo “Consume Me” criticaram a censura, afirmando que a ação prejudica criadores de conteúdo adulto, muitos dos quais são mulheres. Eles alertaram que a definição de “conteúdo adulto” pode ser ampliada para incluir qualquer material LGBTQ+, o que poderia resultar em mais censura no futuro.
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