Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, tem buscado apoio entre os evangélicos, que agora representam 30,9% da população. Essa aproximação ocorre em meio a críticas por abusos de direitos humanos e crises políticas e econômicas, além de eleições contestadas como fraudulentas.
Nos últimos anos, Maduro tem implementado programas que beneficiam as igrejas, como o “Minha Igreja Bem Equipada”, que oferece reformas e mobiliário, e o “Bônus do Bom Pastor”, que concede ajuda financeira a líderes religiosos. Em 2024, o regime também anunciou a redução de impostos para organizações religiosas. Essa estratégia visa conter a perda de popularidade e fortalecer sua base de apoio.
A relação de Maduro com os evangélicos é vista como um movimento oportunista. A pesquisa do instituto Latinobarómetro revela que, em 2010, apenas 2,1% dos venezuelanos se identificavam como evangélicos, número que cresceu exponencialmente na última década. A Igreja Universal do Reino de Deus, liderada pelo bispo Edir Macedo, tem sido uma aliada importante, com pastores brasileiros realizando cultos ao lado de Maduro.
Repressão e Oposição
Apesar da aliança com alguns líderes evangélicos, a repressão a críticas e a oposição permanece intensa. A ONG Portas Abertas alerta que os cristãos enfrentam riscos ao se opor ao regime, incluindo ameaças e prisões arbitrárias. A Venezuela ocupa atualmente a 71ª posição em um ranking de países que mais perseguem cristãos, uma queda em relação ao ano anterior.
A crescente influência dos evangélicos na Venezuela reflete um fenômeno mais amplo na América Latina, onde a religiosidade tem se intensificado em tempos de crise. A fé se torna um refúgio em meio à incerteza, como observa a professora Dhayana Fernández. A instrumentalização da religião por Maduro, no entanto, levanta questões sobre a autenticidade dessa aliança e suas implicações para a política e a sociedade venezuelana.
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