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Clássico revela como o fascismo pode surgir em democracias ao longo da história

Obra de Adorno alerta para a necessidade de vigilância contra o autoritarismo em democracias, mesmo após setenta e cinco anos de sua publicação

Ilustração de Ariel Severino para coluna de Wilson Gomes de 20 de agosto de 2025 (Foto: Ariel Severino/Folhapress)
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75 Anos de “A Personalidade Autoritária”

Em 2025, “A Personalidade Autoritária” completa 75 anos, mantendo sua relevância ao abordar a ascensão da extrema direita e novas formas de intolerância. A obra, publicada em 1950 por Theodor Adorno e colaboradores, foi pioneira ao integrar psicanálise, psicologia e sociologia para investigar a predisposição ao autoritarismo em sociedades democráticas.

Os autores mudaram o foco da análise, que antes se concentrava em ideologias fascistas, para as atitudes individuais que moldam a percepção social. Eles identificaram sintomas psicológicos e sociais como conformismo, submissão à autoridade e intolerância à ambiguidade, que podem estar latentes e se manifestar em condições sociais propícias.

Inovações na Pesquisa

Outra inovação foi a concepção do fascismo como uma expressão de traços presentes em democracias, não apenas como uma anomalia histórica. A pesquisa revelou que características como etnocentrismo e agressividade moralizada podem surgir em indivíduos sem engajamento político explícito. Isso sugere que o autoritarismo pode emergir em qualquer sociedade.

Os autores desenvolveram a Escala F, um questionário que mede a suscetibilidade ao autoritarismo. Essa ferramenta demonstrou que atitudes autoritárias estão interligadas, formando um padrão de personalidade que pode ser ativado em contextos políticos favoráveis. A escolha do nome da obra ampliou o escopo da pesquisa, alertando sobre a possibilidade de regimes autoritários em qualquer lugar.

Relevância Atual

Setenta e cinco anos após sua publicação, o alerta dos autores continua pertinente. Democracias ao redor do mundo enfrentam a ascensão de novas formas de autoritarismo, incluindo o autoritarismo progressista. O livro de 1950 enfatiza que as democracias devem se proteger não apenas de ameaças externas, mas também dos impulsos autoritários que podem surgir internamente.

A obra permanece um importante recurso para entender que o autoritarismo não é um fenômeno isolado, mas um risco constante que deve ser monitorado e combatido.

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